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Zagreb recebe em apoteose antigos criminosos de guerra

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Zagreb recebe em apoteose antigos criminosos de guerra

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Em tempos, foram considerados criminosos de guerra. Mas Zagreb recebeu-os como heróis, depois de uma surpreendente reviravolta judicial.

Dezenas de milhares de pessoas acolheram em festa o general croata Ante Gotovina, condenado o ano passado por crimes de guerra, pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, mas ilibado agora em segunda instância e libertado prontamente. O mesmo aconteceu com o antigo comandante da polícia croata, Mladen Markac.

Se antes ficou determinada a culpabilidade de ambos por centenas de homicídios em alvos civis durante o cerco ao enclave de Krajina, dominado então pelos rebeldes sérvios, o recurso não deu como provada uma intencionalidade criminosa em tempos de guerra. Para felicidade de muitos croatas que os consideram símbolos da independência.

A decisão, que contraria o rumo de anos de processos, está a levantar muitas interrogações, a começar por aqueles que eram responsáveis pelo dossiê no TPI, como Carla del Ponte. A antiga procuradora afirma que “Gotovina foi condenado em primeira instância a 24 anos de prisão” e que, “tanto quanto se sabe, nada mudou entretanto, não há provas novas”. Del Ponte realça que tem de ler a sentença, mas que tudo isto lhe parece simplesmente “inexplicável”.

Do lado sérvio, o presidente Tomislav Nikolic fala em “decisão escandalosa”, com muitas vozes no país a denunciarem uma falta de neutralidade que pode reavivar velhas feridas.