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O novo Papa na visão de Hans Küng

O novo Papa na visão de Hans Küng
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euronews: Saúdo agora em Tübingen o conhecido teólogo e crítico da igreja, Hans Küng: bem-vindo à euronews.

euronews: Foi um espetáculo gigante dos media em Roma, e a eleição uma surpresa geral. Mas não será ele apenas um Papa de transição, tendo em conta o seu frágil estado de saúde?

Hans Küng: “Não estou preocupado com isso. Não vai ser um Papa de transição. João 23, esteve apenas 5 anos no cargo e mudou a igreja mais do que os papas nos 500 anteriores. O novo Papa já mostrou numa noite, que é capaz de mudar toda a atmosfera somente com a aparência simples e sóbria.”

euronews: Como devemos interpretar esta eleição? Francisco vai ser o Papa dos pobres? Vem do continente com a maioria de fiéis católicos e muitos problemas sociais.

Hans Küng: “Certamente não vai dar prioridade ao problema entre o Oriente e Ocidente como os dois Papas anteriores. Mas sim ao Norte-Sul e, claro, a todos os problemas dos pobres no mundo. Isto também tem muitas implicações morais, quando se pensa em sobre população, controle da natalidade, tudo isto será posto em debate novamente.”

euronews: Qual será a tarefa mais urgente do novo Papa? Esclarecer os escândalos de abuso assim como o escândalo do Vatileaks?

Hans Küng: “De fato. O novo Papa é o único que pode consultar o relatório secreto, que os três cardeais fizeram para Ratzinger. Ele vai perceber quem não é confiável e o que aconteceu.
A missão mais importante é a reforma da Cúria, uma conceção mais clara sobre a forma como a igreja deve ser conduzida. É importante que escolha o secretário de Estado correto, que não confirme apenas os líderes dos ministérios romano ou dos dicastérios, mas que traga pessoas competentes, para realmente reformar a igreja. É urgente a reforma do tribunal romano, que tem que ser central na igreja, que funcione e não obstrua.”

euronews: Quanto é que as pessoas precisam da Igreja hoje em dia? De que está encarregue a Igreja Católica hoje?

Hans Küng: “A igreja pode ser uma autoridade moral no mundo, se estiver a funcionar corretamente. Mas não se deve ter um comportamento farisaico nem apontar o dedo moral, há que ser sensível às dificuldades das pessoas, mostrar compreensão e também ser solidário com as outras Igrejas cristãs e religiões mundiais. Tem de trabalhar pela paz no mundo. Existem tarefas gigantescas, e espero que este Papa faça mais pela renovação da igreja, mais para o ecumenismo das igrejas cristãs, para a paz e bem-estar do mundo, do que os seus dois antecessores.”