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Eleições na Bulgária em clima de incerteza

Eleições na Bulgária em clima de incerteza
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No domingo, os búlgaros vão às urnas e é a incerteza que marca os espíritos. A instabilidade que se sente no país faz temer uma grande abstenção.

A Bulgária viveu uma série inédita de tentativas de imolação, ao mesmo tempo em que decorria um movimento de protesto contra a pobreza e a corrupção, durante os meses de fevereiro e março.

Segundo a polícia, dos sete búlgaros que tentaram suicidar-se assim desde o início da crise, apenas um sobreviveu.

Três deles tinham reivindicações políticas, os outros estavam desesperados com a pobreza e a falta de perspectiva para eles e para as famílias.

A Bulgária foi afetada por manifestações, por vezes violentas, provocadas pelo forte aumento no montante das faturas de energia elétrica, que desencadearam protestos contra a pobreza e a corrupção das elites políticas. O movimento obrigou o primeiro-ministro conservador, Boiko Borissov, a demitir-se, no dia 20 de fevereiro.

As eleições legislativas antecipadas para o dia 12 de maio apontam de novo como vencedor Boiko Borissov, mas sem maioria para governar. As últimas sondagens outorgam-lhe entre 23 a 25,6% dos votos.

O Partido Socialista (PSB) – excomunista, principal força de oposição, do antigo chefe do governo Serguei Stanichev, está em segunda posição nas sondagens.

A falta de alternativas aponta para 18% da abstenção de eleitores que, antecipadamente, asseguraram que não vão votar. A percentagem de indecisos ronda os 35%.

O desinteresse dos eleitores cresceu à medida que evoluiu a campanha eleitoral, que acabou num ajuste de contas entre o GERB e os socialistas por causa de um escândalo de escutas telefónicas ilegais.

Os principais partidos e movimentos de coligação também não explicaram os seus projetos para tirar a Bulgária, o país mais pobre da União Europeia, da crise endémica.

Este país dos Balcãs aplica, desde 1997, um regime de austeridade que preserva a estabilidade das finanças públicas, mas ao preço de um nível de vida muito baixo.

O presidente da Bulgária, Rossen Plevneliev, antecipou as eleições depois da renúncia do governo conservador de Boiko Borrisov, em meados de fevereiro.

A crise búlgara já influenciou os resultados eleitorais no Reino Unido, onde o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), com os slogans anti-imigração, multiplicou o número de votos nas eleições locais, conseguindo uma média de 25% onde apresentou candidatos.

O Reino Unido, tal como outros Estados, impôs restrições à entrada dos trabalhadores da Roménia e Bulgária, apesar destes países serem parceiros da União Europeia. Muitos britânicos temem a chegada em massa de novos imigrantes vindos da Bulgária, a partir da data da adesão ao Acordo de Shengen, a 1 de janeiro de 2014.

Para agravar a situação, os cálculos de Bruxelas prevêem que, dos 60 milhões europeus sem conta bancária, 25 milhões, quase metade, estejam na Bulgária e na Roménia, ou seja estes dois países fazem muitas das operações, pagamento de salários incluídos, em ‘dinheiro vivo’.

Fundada em 681, a Bulgária é um dos mais antigos Estados da Europa, sendo a sua história marcada pela sua situação geográfica na confluência da Europa com a Ásia. A população da Bulgária é principalmente constituída por búlgaros (83.9%), com duas minorias, turcos (9.4%) e ciganos (4.7%). Dos restantes 2 , 0,9 % são constituídos por 40 minorias, nos quais se destacam russos, arménios, valacos, judeus, tártaros e sarakatsanios (historicamente conhecidos também como caracachanos). 1,1 da população não declarou a sua etnia no último censo de 2001.

A Bulgária deixou o comunismo em 1990 e aderiu à NATO em 2004.