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Relato na primeira pessoa da tragédia em Santiago

Relato na primeira pessoa da tragédia em Santiago
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Foram cinco segundos que mudaram para sempre a vida de centenas de famílias. A euronews entrevistou um dos sobreviventes do descarrilamento em Santiago de Compostela: Roberto Fariza, um norte-americano que sobreviveu a um cancro há três anos – e que têm a mulher em estado crítico – respondeu às perguntas da nossa enviada especial, Filipa Soares.

euronews (en):
Estava no comboio que teve o acidente?

Roberto Fariza (RF), sobrevivente, Texas, EUA:
“Sim, estava no comboio, na carruagem número 7”.

en:
Sozinho ou acompanhado?

RF:
“Estávamos a minha mulher e eu. Vínhamos para as festas”.

en:
Pode descrever-nos o que recorda do acidente?

RF:
“É difícil falar disso sem emocionar-me porque foi uma coisa horrível. Não nos damos conta da velocidade a que seguia o comboio até começar a adornar e foi por causa da velocidade que se deu o acidente. Foi tudo muito rápido; uma questão de segundos”.

“Ficou tudo escuro”.

“As pessoas gritavam. Eu voei, fui atirado contra as paredes da carruagem e caí como uma bola de borracha. A minha mulher, que está em estado crítico, ficou debaixo dos bancos, de três pessoas e de malas. Chamei por ela a gritar, para que soubesse, se estivesse consciente, que estávamos à procura dela. O escalpe foi-lhe arrancado da cabeça. Sangrava. Não conseguia ver. Tinha os olhos inchados. A roupa foi-lhe quase toda arrancada do corpo”.

“Pedimos ajuda: Vieram habitantes locais e acabamos por ser 10 a transporta-la até à ambulância. Os serviços de emergência estavam a selecionar quem ajudar primeiro e existiam pessoas ao nosso lado que estavam a morrer: um jovem, de 26 ou 27 anos, que parecia estar bem, acabou por morrer. E depois foi uma rapariga e um homem. Foi horrível”.

“Eu dizia à minha esposa: respira, respira, não pares de respirar. Foi assim até chegarmos ao hospital”.

Durante 5 horas não soube onde estava. A única coisa em que pensava era que ela estava na sala de operações.

en
Também ficou ferido?

RF:
Sim, estou ferido. Graças a Deus que não apanhei com nada na cara. Só uns ‘galos’ na cabeça, como se costuma dizer. Tenho algum sangue na urina e isso está a preocupar os médicos. Fizeram alguns exames e estou sob observação.

en:
Onde vai ficar agora?

RF:
Estou hospedado num hotel e por isso ficamos aí. Não temos malas. Comprei isto (T-shirt) hoje. As calças são do meu genro. Comprei as meias e os ténis são os mesmos que levava calçados durante o acidente. Agora, temos de ver se a embaixada dos Estados Unidos nos ajuda. Precisamos muito de ajuda, não tanto a nível monetário mas mais em relação aos procedimentos que agora temos de fazer.

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