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Atrás das barricadas da resistência islâmica no Cairo

Atrás das barricadas da resistência islâmica no Cairo
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Cairo, campo de Rabaa al-Adawiya, um dos centros de resistência islamita na capital egípcia contra o golpe militar que derrubou o presidente Mohamed Morsi.

Apesar dos apelos do governo à desmobilização, os apoiantes da Irmandade Muçulmana prometem não arredar pé e convocaram uma mobilização maciça, esta sexta-feira, para voltar a exigir o regresso ao poder do presidente legitimamente eleito.

Do outro lado da praça Tahrir, próximo da universidade, está instalado o campo de Al-Nahda, o segundo centro da revolta islâmica na capital.

Nas últimas semanas, desde a queda de Morsi no dia 3 de junho, já morreram quase 300 pessoas quando os protestos deram lugar à violência.

A euronews visitou o campo de Rabaa al-Adawiya, no nordeste da capital. Em véspera de nova manifestação, o espaço estava semidesértico, facto a que não é alheio estarmos no mês do Ramadão. O campo foi limpo para facilitar o acesso de ambulâncias e, um pouco por todo o lado, acumulam-se pneus, pedras e outros artefactos que poderão vir a servir de arma contra os tanques e os militares.

Um segurança do campo mostra-nos os sacos de areia empilhados que, segundo diz, servem para proteção das “pedras e das balas”. Em caso de ataque “com recurso a mercenários, a segurança do campo pode abrigar-se atrás destas barreiras e iniciar a resistência”. Como arma de defesa, mostra-nos um bastão de madeira. Os militantes da Irmandade, afirmam estar prontos para “morrer em nome da legitimidade”.

Sente-se uma tensão escaldante por detrás de uma imagem de calma aparente.

Os manifestantes em Rabaa al-Adawiya passam a mensagem que estão determinados a sobreviver e prontos para o confronto, enquanto o ministério do Interior prepara legislação para acabar com os campos, deixando antever um confronto sangrento que os egípcios muito receiam.