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Refugiados do Mali querem regressar depois do traumatismo

Refugiados do Mali querem regressar depois do traumatismo
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Os refugiados malianos sonham apenas com o regresso ao país, e com a possibilidade destas presidenciais terminarem com a brutalidade deste último ano.

Desde o início do conflito na parte norte do país em janeiro de 2012, segundo as Nações Unidas, cerca de 174 mil malianos refugiaram-se nos países vizinhos: Burkina Faso, Mauritânia e Argélia. Mopti, que já foi o polo económico do Mali, não consegue reerguer-se depois da queda de todas as cidades e vilas vizinhas sob ocupação islâmica. Aqui, espera-se que a participação elevada e a ausência de violência durante as eleições constituam um sinal positivo para o futuro do país. Para Fatoumata Traoré, de 16 anos apenas, as cicatrizes do conflito marcaram-na para sempre: “A minha mãe tinha ido ao mercado e eu limpava a casa. Ouvi tiros e corri para juntar todos os meus irmãos dentro de casa. Os atacantes saltaram pelo portão e entraram para o pátio de casa. Bateram-nos, violaram-nos…enquanto um grupo nos violava outro grupo ficava de guarda. Trouxeram-nos animais para comer. A carne estava mal cozida. Durou uma semana. Depois, atiraram-nos para a rua e partiram”. Traoré foi fechada com outras 15 jovens violadas. Teve um filho, Moussa, agora com quatro meses. O pai de Traoré encarou a violação como uma maldição para a família, e deixou-a pouco tempo depois. Apesar do filho ser fruto da violência, a vontade de Traoré é que ele cresça num país pacífico e que a família possa encontrar uma casa para viver. Cerca de 200 mil deslocados de guerra abandonaram Gao, Tomboctu e Kidal, para se instalarem no sul, principalmente na capital, Bamako. Uns foram recolhidos por familiares e amigos, outros foram para os campos. Jarrou Ag Ahmed vive no Campo de Goudoubo, no Burkina Faso, que é refúgío de 10 mil malianos. Tem esperança que a nova liderança restabeleça a paz e a segurança no seu país, que já foi considerado um modelo de democracia numa região perturbada. “Passámos um ano sem presidente, sofremos imenso. Queremos ter presidente para readquirir a paz no país.” O novo presidente tem por missão reequilibrar o Mali, traumatizado por 18 meses de crise militar e política. Os refugiados malianos exprimiram a sua vontade de acabar com a crise para poderem regressar a um país onde seja possível estabelecer a paz, proceder à reconstrução nacional e à educação. Uma refugiada dá voz à vontade do povo: “se houver estabilidade queremos regressar. Com um novo presidente e com paz, queremos voltar ao Mali que nos está no coração”.