O exército turco volta a sentar-se no banco dos réus, em Ancara, desta vez para um mega processo relacionado com a queda do primeiro governo islamita moderado do país, em 1997.
Cerca de 103 militares, um terço dos quais em detenção, enfrentam a pena de prisão perpétua, pela participação num golpe classificado de “pós-moderno”, uma vez que implicou apenas pressões de bastidores e não uma intervenção direita dos militares.
Um processo que volta a suscitar críticas por parte dos partidos e setores laicos turcos que acusam o atual governo islamita moderado de perseguição.
Desde 2012 que mais de 500 militares foram condenados por participar em alegadas conspirações contra o governo de Recep Tayip Erdogan.
O novo julgamento, que poderá durar vários anos, visa, entre outros, o antigo chefe do estado maior das forças armadas.
Todos os arguidos são acusados de participação no derrube do governo do primeiro-ministro Necmettin Erbakan, apontado como o mentor do atual primeiro-ministro Erdogan.
Desde a subida ao poder do partido AKP de Erdogan, que a formação islamita moderada tenta diminuir a influência dos militares – vistos como o garante da laicidade do país – e responsáveis pelos sucessivos golpes contra governos eleitos em 1960, 1971 e 1980.


