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Oposição tem força surpreendente em Moscovo

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Oposição tem força surpreendente em Moscovo

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Moscovo elege, este domingo, um novo presidente de câmara. Serguei Sobyanin, do partido de Vladimir Putin, foi chamado à liderança da capital russa depois de o antigo presidente, Yuri Lujkov, ter sido demitido por Putin.

Concorre contra uma estrela da oposição. Como trunfo, apresenta a obra feita durante o mandato: “Estamos a inaugurar um monumento notável que acaba de ser restaurado. Moscovo está a passar por um renascimento, com a restauração e a reconstrução de edifícios históricos”, dizia recentemente, na inauguração de uma igreja ortodoxa.

Do outro lado está Alexei Navalny. Em julho, Foi preso e condenado, num alegado caso de corrupção, mas as autoridades deixaram-no manter a candidatura. É visto como uma das grandes esperanças da corrente anti-Putin. O processo de que foi alvo fez dele um mártir da oposição, já que alega que se tratou de uma perseguição política.

“Conseguimos destruir a ideia do Kremlin de que ninguém consegue fazer uma campanha e juntar mais de três por cento dos votos, sem o dinheiro do Kremlin e a televisão do Kremlin”, diz Navalny.

A decisão das autoridades russas de deixar Navalny concorrer causou alguma surpresa. Sinal de progresso na democracia musculada de Putin, ou operação de charme, o certo é que veio apimentar o jogo político: “O sistema político que Putin construiu tinha de ser à prova de risco. Tinha de ser um monopólio político virtual, sem incertezas, sem surpresas. Penso que esta foi uma das conquistas de Alexei Navalny. Conseguiu forçar as autoridades a permitir a entrada de um elemento de incerteza na política russa”, diz Maria Lipman, do Moscow Carnegie Center.

Sobyanin é o homem do Kremlin e tem a reeleição praticamente assegurada. Mas Navalny conseguiu o que nenhum opositor conseguiu nos últimos tempos – mais de dois milhões de euros em doações de campanha, milhares de voluntários e 18% de intenções de voto nas sondagens. Esta luta pela câmara da capital pode ser apenas o início. Há quem o veja, num futuro próximo, a lutar pelo Kremlin.

Há ainda outros quatro candidatos, mas as intenções de voto são insignificantes.

Uma nota comum a todos os candidatos é o tópico da luta contra a imigração ilegal, o que já lhes valeu acusações de xenofobia.