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Documentário sobre campos paramilitares na África do Sul

Documentário sobre campos paramilitares na África do Sul
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“Fatherland” explora a linha ténue que separa racismo e patriotismo.

O documentário realizado por Tarryn Lee Crossman segue a vida de três rapazes num acampamento paramilitar na África do Sul.

Durante nove dias, os protagonistas aprendem técnicas de defesa pessoal e de combate para defenderem as suas comunidades rurais.

“Foi complicado fazer este filme e estar no campo de treino com aqueles rapazes. Muitas pessoas perguntaram-me o que tinha mudado em mim em relação aos africânderes depois de ter estado no campo e a resposta é o oposto daquilo que se poderia pensar.
Quando fui para o campo lamento mas pensava que muitos dos africânderes eram racistas mas saí de lá a sentir empatia por aquela cultura desapossada. Aqueles homens sentem-se magoados, porque lutaram por algo e não sabem ondem pertencem”.

O treino é organizado quatro vezes por ano por antigos militares sul-africanos para promover o nacionalismo africânder, contra o projeto de sociedade multi-racial defendido por Nelson Mandela após o fim do apartheid.

Através das vivências dos três rapazes, o documentário explora os conceitos de bem e mal e reflete sobre a identidade e o preconceito.

“Acabei por aceitar mostrar o filme depois de ter pesado os pós e os contras porque sabia que o filme iria ser controverso. Finalmente decidi exibi-lo porque senti que muitas das coisas que são ditas no filme fazem parte ainda que uma de forma menos extrema do dia a dia da África do Sul.
E se não prestarmos atenção a esse debate e se não falarmos sobre o assunto, a questão não vai desaparecer”, diz a realizadora.

A apresentação do documentário em Joanesburgo coincidiu com a estreia de “Longo Caminho para a Liberdade”.

O filme sobre a vida de Nelson Mandela baseia-se na própria auto-biografia do líder da luta contra o apartheid na África do Sul.