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Irão retoma defesa do programa nuclear diante das grandes potências

Irão retoma defesa do programa nuclear diante das grandes potências
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É rodeada de muito ceticismo de parte de parte que arranca esta terça-feira, em Viena de Áustria, mais uma ronda de negociações sobre o programa nuclear do Irão. O encontro é liderado pelo grupo 5+1, que junta os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) mais a Alemanha.

Desde a chegada à presidência de Hassan Rouhani, em agosto, que os iranianos têm revelado maior abertura de ceder a algumas das exigências internacionais sobre o programa nuclear de forma a conseguir que sejam levantadas as sanções que pairam sobre o país há vários anos e que o estão a impedir de crescer. Um acordo final, contudo, não parece fácil de ser alcançado, havendo até quem preveja que as conversações a ser agora retomadas em Viena possam prolongar-se por um ano ou mais.

Ainda assim, Konrad Kramar, editor de política e de temas internacionais do diário austríaco “Der Kurier”, defende que este é o momento ideal para a comunidade internacional pressionar. “Os iranianos estão desesperados. A economia deles está a entrar em colapso a um ritmo muito acelerado. Quer dizer, desde a moeda à produção de petróleo, tudo está a desmoronar-se no Irão. Eles estão mesmo ávidos de dinheiro, de novos contratos, de tudo…”, salienta este jornalista austríaco, concretizando: “Os iranianos precisam de uma solução. Para eles, é urgente trilhar o caminho de um acordo.”

No Irão, porém, a opinião parece ser contrária à de Konrad Kramar. O Ayattolah Ali Khamenei afirmou, aliás, esta segunda-feira que as negociações que agora arrancam em Viena “não levarão a lado nenhum”. E, embora garantindo que “o Irão não vai violar as promessas que fez”, o líder supremo do país explicou aos iranianos o porquê do ceticismo: “Os americanos são hostis para com a revolução e a República islâmicas. Eles são inimigos da bandeira que vocês têm hasteado e essa hostilidade nunca vai desaparecer.”

Em curso, no Irão, estão já medidas negociadas anteriormente e que entraram em vigor a 20 de janeiro. Nomeadamente, a obrigação em parar o enriquecimento de urânio a altos níveis e a redução das reservas de urânio de tipo militar. Com isto, Teerão espera ver levantadas já algumas das sanções internacionais que foram aplicadas ao país e ainda ganhar acesso a cerca de 4,2 mil milhões de dólares (cerca de 3 mil milhões de euros) que estavam congelados em contas bancários no estrangeiro.

As negociações hoje retomadas em Viena visam esclarecer ao máximo a real natureza do programa nuclear iraniano: se é militar ou civil. Há receio de que esteja em desenvolvimento no Irão uma bomba atómica. Os iranianos garantem que não. Mas a comunidade internacional, através do grupo 5+1, exige mais medidas em relação ao enriquecimento de urânio enriquecido e a produção de plutónio, nomeadamente a autorização para que inspetores ligados à ONU possam averiguar a atividade realizada numa zona militar de acesso restrito em Parchin, no Irão. As explicações “in loco”, pelos iranianos, seguem dentro de momentos, em Viena, na Áustria.