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Tártaros da Crimeia desafiam Rússia nos 70 anos da deportação ordenada por Estaline

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Tártaros da Crimeia desafiam Rússia nos 70 anos da deportação ordenada por Estaline

Tártaros da Crimeia desafiam Rússia nos 70 anos da deportação ordenada por Estaline
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Milhares de tártaros desafiaram a proibição de concentrações em massa imposta pelas novas autoridades da Crimeia e comemoraram este domingo os 70 anos da deportação do seu povo por Estaline.

Numa mesquita nos arredores de Simferopol, cerca de 20 mil tártaros assinalaram o 18 de maio de 1944 sob o olhar atento de helicópteros russos que sobrevoavam a área.

Nessa noite de 18 de maio, começou a deportação. Oficialmente, o regime soviético quis “limpar” a península de “elementos hostis” que foram acusados de colaboração com os nazis.

Perto de 200 mil tártaros foram “enlatados” em vagões ferroviários e enviados para a Sibéria e para a Ásia Central, a maioria para o Uzbequistão.

Segundo os responsáveis da etnia, 45% dos deportados não resistiram à viagem. Desde esse tempo, os tártaros nunca mais confiaram na Rússia e depois da anexação da Crimeia, a situação voltou a piorar:

“Os tártaros que vivem na região onde vive a minha família sofrem humilhações. Os comerciantes não lhes querem vender nada. Os locais tornaram-se muito agressivos, não querem vender aos tártaros. Sentem a autoridade de Putin. Tornaram-se rudes. Dizem: ‘Vocês (os tártaros) merecem a morte, não há lugar para vocês na Crimeia’”, afirma uma ucraniana de etnia tártara.

Em Kiev, cerca de 3000 pessoas assinalaram o triste aniversário da deportação.

A correspondente da euronews na capital ucraniana, Maria Korenyuk, conta que recentemente, “quando a Rússia ocupou a Crimeia, cerca de 8000 pessoas fugiram para o interior da Ucrânia, na sua maioria tártaros da Crimeia. Muitos instalaram-se em Kiev e na região ocidental da Ucrânia. Tal como os seus avós, deportados da Crimeia em 1944, têm todos esperança que a relocalização seja temporária e esperam regressar à sua terra natal”.