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Indonésia: O regresso ao passado ou a rutura dominam presidenciais

Indonésia: O regresso ao passado ou a rutura dominam presidenciais
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A Indonésia tem no horizonte, esta quarta-feira, uma escolha crucial: a eleição do novo Presidente. De um lado, Prabowo Subianto, um ex-general representante da velha elite autocrática. Do outro, Joko Widodo, o governador de Jacarta e membro de uma nova classe política no país. Qual deles, recolherá a simpatia da maioria dos cerca de 190 milhões de eleitores?

A eventual escolha de Subianto levanta receios de um regresso do autoritarismo, que marcou, por exemplo, o regime Suharto. A de Widodo pode significar reformas mais democráticas. Para os analistas, tudo pode acontecer possível.

“Até agora, ainda não foi possível prever quem vai vencer. Olhando às sondagens, diria que os resultados vão ficar muito próximos um do outro”, refere Firman Noor, do Instituto Indonésio de Ciências.

Aos 62 anos, Prabowo Subianto está a tentar chegar a Presidente pela terceira vez. É apoiado pelo Golkar, um dos maiores partidos da Indonésia, do qual fez parte também o general Suharto. Subianto, aliás, até casou com uma das filhas de Suharto no início da década de 80.

Hoje em dia, o antigo general tem aliados na coligação do presidente Susilo Yuodhoyono, que já esgotou os dois mandatos permitidos na Indonésia e está, por isso, proibido de se recandidatar. Mas esta proximidade, coloca também Probowo Subianto próximo de alguns casos de corrupção que estão sob investigação.

Com um passado nas forças armadas, Subianto é suspeito de ter ordenado o rapto de militantes pró-democracia no final do mandato de Suharto e de abusos de direitos humanos em Timor Leste. Há ainda quem sugira que esteve também por trás do golpe de Estado falhado em 1998, após o colapso do regime Suharto.

Assumindo-se inocente de qualquer crime, Subianto acusa, entretanto, o atual candidato rival de ser uma marioneta paga por capitalistas estrangeiros e chegou mesmo a sugerir que Widodo poderia ser chinês e cristão. Uma mentira que pode ter muito peso num país com quase 90 por cento de muçulmanos.

Quase desconhecido do grande público, por outro lado, Joko Widodo – ou simplesmente Jokowi, como é conhecido – teve uma ascensão fulgurante em apenas dois anos. De uma família pobre, cresceu como homem de sucesso.

Iniciou a carreira política como presidente da Câmara de Surakarta, a cidade de meio milhão de habitantes onde nasceu na província de Java Central e que também é conhecida como Solo. Em 2012, tornou-se Governador de Jacarta, a capital indonésia de 10 milhões de habitantes – quase tantos como todo o Portugal. Apostou em cartões de acesso à saúde e educação para os mais desfavorecidos e com isso ganhou o povo.

Carismático, colocou como prioridades a luta contra a pobreza e contra a corrupção que tem manchado o país. Até hoje, não foi relacionado com qualquer ato ilegal e a única mancha deste agora político de 53 anos pode ser a proximidade com a ex-presidente Megawati Sukarnoputri, a atual líder do PDI-P, o Partido Democrático Indonésio de Luta, através da qual foi Widodo foi anunciado a 14 de março candidato presidencial (ver anúncio oficial em baixo).


Considerado um candidato de rutura face ao passado, dá força à esperança de uma nova classe política num país que continua sob a mão de uma elite herdada do regime Suharto.

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