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Sudão do Sul celebra terceiro aniversário em plena guerra

Sudão do Sul celebra terceiro aniversário em plena guerra
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O Sudão do Sul assinala o terceiro aniversário em plena guerra civil e sob o espetro da fome. Milhares de mortos, um milhão e meio de deslocados: a mais jovem nação do mundo está à beira da implosão.

Porém, a 9 de julho de 2011, o país celebrava a independência sonhada há décadas, depois de um longo conflito com Cartum.

O tom era de festa em janeiro de 2011, quando o sim à independência do sul cristão vencia com 99 por cento dos votos no referendo previsto pelos acordos de paz assinados com Cartum, em 2005.

Salva Kiir, da etnia Dinka, até então presidente da região autónoma, tornava-se no Presidente do novo Estado, mas não resistiu à tentação autocrática. Em julho do ano passado, afastou o vice-presidente, Riek Machar, que pertence à etnia rival Nuer e não esconde a intenção de se apresentar às presidenciais de 2015.

A 15 de dezembro, Machar escapava a uma tentativa de assassínio e entrava em rebelião. Era o início da guerra civil e de uma série de massacres étnicos.

Esta terça-feira, a chefe da missão de paz da ONU no Sudão do Sul, Hilde Johnson, terminou o mandato de três anos com a constatação do falhanço e recados a ambas as partes do conflito: “O Sudão do Sul tem sido atormentado por três doenças desde 2005. A primeira é o cancro da corrupção com o petróleo a tornar-se numa praga em vez de uma bênção; a segunda é o reino das armas e não das leis, marcado pela impunidade das forças de segurança e dos serviços; e em terceiro, o governo de uma elite que serve os seus próprios interesses e est´orientada para as elites e muito pouco para as pessoas.”

Foram necessárias as imagens do massacre de Bentiu, a 15 e 16 de abril, para despertar a atenção e emoção da comunidade internacional. Centenas de civis tinham sido mortos pelos rebeldes quando estes tomaram a cidade.

A 2 de maio, o secretário de Estado norte-americano fez uma visita surpresa a Juba, a capital. John Kerry conseguiu a promessa de um cessar-fogo de ambas as partes. A trégua nunca chegou realmente a ser respeitada até porque o presidente Kiir não aprecia a ingerência externa.

O Uganda apoia as forças governamentais e o conflito ameaça destabilizar toda a região, desde o Oceano Índico à Região dos Grandes Lagos, uma das mais promissoras a nível económico no continente africano.

Enquanto a guerra dilacera o país, os poços de petróleo, única fonte de receitas do Sudão do Sul, estão parados. Em caso de implosão, Cartum poderia retomar o controlo da riqueza petrolífera.