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Porque são perseguidos os yazidis?

Porque são perseguidos os yazidis?
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Os yazidis têm sido perseguidos ao longo dos milénios, vítimas de genocídios e do ódio, tanto de cristãos como de muçulmanos. Agora, ameaçados de extermínio pelo Estado Islâmico, começaram a treinar, no Curdistão, para pegar em armas. Dizem que estão “em busca de vingança” pelos familiares que perderam nos massacres dos últimos dias.

“Estamos no campo para receber treino de forma a podermos defender as nossas famílias, a honra e as terras. As forças curdas ajudaram-nos a fugir e estão a treinar-nos. Deram-nos comida, ajuda, uniformes e armas”, refere um voluntário yazidi iraquiano.

Povo da mesopotâmia em fuga perpétua, os yazidis são etnicamente curdos, mas distinguem-se pela religião que praticam.

Monoteístas, pré-cristãos, misturam elementos de várias tradições, especialmente do Zoroastrianismo – que foi culto maioritário na antiga Pérsia – mas também do Islão e do Cristianismo.

Segundo a religião Yazidi, Deus colocou a terra sob a proteção de sete divindades (anjos). A principal, Melek Taus – o Anjo-Pavão, é também conhecida pelo nome Shaytan, o mesmo que o Alcorão dá a Santanás. Isto leva a que muitos muçulmanos, em particular os mais radicais, vejam os yazidis como “adoradores do diabo”.

A agravar os desentendimentos com outras religiões, os yazidis acreditam na reencarnação e não seguem nenhum livro sagrado.

A esmagadora maioria desta comunidade com tradições orais, entre 200 a 600 mil, vive na planície de Nívive, no norte do Iraque. Mas a diáspora não pára de crescer. Estima-se que existam entre 20 a 50 mil na Alemanha, 10 a 20 mil na Síria e entre 70 a 110 mil na Arménia, na Geórgia e no Azerbaijão.

O monte Sinjar tem-lhes servido de refúgio, mas muitos já não querem voltar:

“Não sei, não sei se algum dia poderemos voltar. Já não queremos voltar para o Sinjar. Se as coisas continuarem como estão agora, não queremos voltar. Se voltássemos hoje, estaríamos todos mortos amanhã”, explica um refugiado que conseguiu fugir ao cerco dos extremistas do Estado Islâmico.

O massacre de yazidis está também a servir de justificação moral para o Ocidente armar os curdos pechmerga, os únicos que, no terreno, parecem capazes de poder travar o avanço do Estado Islâmico que já declarou um califado numa vasta região que abrange o norte do Iraque e o leste da Síria.

Os yazidis só pedem uma coisa: “salvem-nos” do Estado Islâmico.