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As alianças improváveis no combate aos jihadistas do Estado Islâmico

As alianças improváveis no combate aos jihadistas do Estado Islâmico
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Velhos rivais estão a tornar-se em aliados improváveis em torno da coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos, para combater o grupo jihadista Estado Islâmico, que declarou um califado em partes da Síria e do Iraque.

“Não terá chegado o tempo… de nos unirmos para enfrentar esta séria ameaça terrorista”, questionou, esta segunda-feira, (29 de Setembro), o ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria, num discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas em que pareceu dar o apoio tácito de Damasco aos ataques aéreos na Síria contra os extremistas.

Muitos especialistas consideram que é uma questão de tempo até a coligação ter de juntar forças no terreno com o exército de Bashar al-Assad. É o caso de Fabrice Balanche, director do grupo de investigação sobre o Mediterrâneo e o Médio Oriente na Universidade Lyon 2:

“Já nos devemos ter apercebido que Assad está bem instalado, que o seu exército é sólido e que os seus aliados, o Irão e a Rússia, não o vão abandonar, como nos fizeram crer no início. Portanto, (Assad) é o único pilar em que nos podemos apoiar para erradicar o Estado Islâmico. Assim sendo, vamos decidir manter o regime de Assad, não obrigatoriamente a renovar as relações diplomáticas, mas, em todo caso, a não voltar a tentar deitá-lo abaixo”.

A estratégia norte-americana de não colocar soldados no campo de batalha é dispendiosa e os ataques aéreos necessitarão inevitavelmente de algum apoio no terreno, segundo os peritos. Isso implica lidar com velhos inimigos, como refere Fabrice Balanche:

“Os únicos aliados fiáveis que poderíamos ter no terreno são os curdos sírios, que também têm muitas contas a ajustar com o Estado Islâmico. Mas, estes curdos pertencem ao PKK, que está na lista de organizações terroristas nos Estados Unidos. Quanto ao exército de Bashar al-Assad, consideramo-lo ilegítimo. Portanto, a um dado momento, teremos de conversar com estes dois inimigos se quisermos verdadeiramente erradicar o Estado Islâmico da Síria, porque não serão os chamados ‘rebeldes moderados’ que o conseguirão fazer”.

John Kerry, o secretário de Estado norte-americano já avisou que a batalha para erradicar os jihadistas do Estado Islâmico poderá demorar vários anos e terá outro grande adversário: A pobreza.

“As populações civis sentem alguma segurança no facto de saberem que se não beberem álcool, não fumarem e se respeitarem a sharia, poderão viver em segurança com o Estado Islâmico. Os Estados Unidos têm razão quando dizem que vai levar tempo a erradicar os jihadistas, porque vamos dar uma resposta militar rápida, e ela é necessária, mas depois será necessário desenraizar o salafismo dos espíritos, trazer a justiça, a segurança e o desenvolvimento económico a estas regiões, que vivem num estado de subdesenvolvimento crónico”, conclui Fabrice Balanche.

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