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Austeridade exige restrições ao modelo social francês

Austeridade exige restrições ao modelo social francês
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Austeridade europeia ou modelo social francês? O debate mantem-se as contradições também. A dívida pública de França bate todos os recordes da história ao passar a barra simbólica dos 2 biliões, 95,3% do Produt Interno Bruto (PIB), duas vezes mais do que há 10 anos. A dívida serve, em parte, para financiar o modelo social francês, considerado um dos bens mais preciosos criados a seguir à II Guerra Mundial.

O orçamento do Estado para 2015 prevê o aumento do défice, menos impostos mas a continuação do rigor: conseguiram economizar-se 21 mil milhões de euros em três anos).

Os franceses estão muito preocupados pelo impacto das restrições no modelo social que visa garantir a saúde e a educação para todos, as reformas satisfatórias e uma legislação que protege os trabalhadores.

O debate provocou consequências políticas, em agosto: a substituição de Arnaud Montebourg (anti-austeridade) por Emmanuel Macron (um reconhecido liberal) como ministro da Economia. A defesa do modelo liberal francês tornou-se no cavalo de batalha de todos os governos. Mas para os socialistas, no poder, é um pesadelo, que necessita ser bem explicado.

Depois da crise, o primeiro-ministro Manuel Vallls, obteve pela segunda vez em cinco meses a confiança da Assembleia e defendeu o modelo social sem renunciar a limitar regalias para economizar:

- Os membros do Parlamento decidiriam que devemos continuar com o nosso plano, e fá-lo-emos até ao fim dos cinco anos de mandato, porque é o que os franceses desejam e não os vamos desiludir, vamos mergulhar no trabalho e enfrentar os desafios. Agradeço a vossa confiança, não os desapontaremos, vamos servir França e o povo francês.

O governo tem apenas uma maioria relativa na Assembleia e as economias sobre a saúde e sobre a família já foram anunciadas. A redução das férias parentais, a divisão do segundo prémio de nascimento a partir do segundo filho – atualmente o prémio é de 800 euros por filho; o segundo passa a valer 400. O modelo social francês já não é sustentável em tempo de crise.