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Chip no sapato combate infeções hospitalares

Chip no sapato combate infeções hospitalares
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Um hospital francês está a testar um sistema para ajudar as equipas médicas a não esquecerem um gesto essencial: desinfetar as mãos, antes de tocar nos pacientes. A tecnologia implica o uso de um chip que é inserido no sapato. O dispositivo regista o número de vezes que a pessoa desinfeta as mãos.

O sistema passa por fazer um corte no sapato e introduzir o chip. Depois, o sapato é colado, o que permite a lavagem do calçado. Escolhemos as socas porque é o único objeto atribuído individualmente a cada médico.

O objetivo é combater as infeções hospitalares. O problema existe em toda a Europa, Portugal é um dos países mais afetados. O sistema chama-se Medi-HandTrace e está a ser testado no Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital de Marselha.

“Estou diante de uma antena, não a vemos porque está debaixo do chão. A antena permite detetar os meus sapatos. Quando desinfeto as mãos, com uma solução alcoólica, o sistema regista a minha passagem”, disse Philippe Brouqui, responsável do departamento de doenças infeciosas e tropicais do Hospital do Norte de Marselha.

“Aqui temos uma segunda máquina, para nos ajudar a respeitar os cinco gestos definidos pela OMS. Temos de desinfetar as mãos antes de tocar no doente, antes de entrar na zona definida por este segundo tapete e a zona de segurança, quando passo para lá do tapete as mãos têm de estar limpas”, acrescentou o médico francês.

Antes da implementação do projeto, apenas 20 por cento do pessoal médico respeitava o protocolo de higiene estipulado pela Organização Mundial de Saúde. Com o novo sistema, essa percentagem subiu para o dobro e atinge por vezes os 60 por cento.

Os dados recolhidos vão ajudar a melhorar a estratégia de combate às doenças nosocomiais.

No futuro, uma das pistas a explorar é a possibilidade de criar um alerta quando o pessoal médico chega à cama do paciente sem ter desinfetado as mãos.

“Implementámos um sistema que envia um SMS a um grupo de voluntários que nos deram o número de telemóvel. A cada quinze dias, enviamos um SMS a dois grupos diferentes, com o número de vezes que lavam as mãos. Não temos números absolutos, mas, o sistema diz-nos se houve ou não melhorias”, contou o médico francês.

O sistema foi desenvolvido pela Micro Be.
O diretor da empresa francesa especializada em eletrónica explicou que foi preciso experimentar vários tipos de chips e de calçado médico para obter o protótipo final.

“O sistema passa por fazer um corte no sapato e introduzir o chip. Depois, o sapato é colado, o que permite a lavagem do calçado. Escolhemos as socas porque é o único objeto atribuído individualmente a cada médico”, explicou Serge Ternoir, diretor da empresa.

Para o diretor do serviço de doenças infeciosas do hospital de Marselha, trata-se do melhor sistema a nível mundial para prevenir as doenças nosocomiais também chamadas de infecções hospitalares.

“O nosso departamento é o que mais consome soluções alcoólicas e, mesmo assim, há apenas 20 por cento de pessoas que respeitam o protocolo de lavagem das mãos. Isso significa que nos hospitais, em França, e, no mundo inteiro, as pessoas não desinfetam suficientemente as mãos e isso prejudica o combate contra as doenças nosocomiais”, alertou o médico.

Em Portugal, um em cada dez doentes contraiu uma infecção nas unidades de saúde. A taxa de prevalência de infecções hospitalares é o dobro da média europeia. O problema é agravado pelo uso excessivo de antibióticos, que provoca um aumento da resistência às bactérias.