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Autocarro sem condutor circula em cidade grega

Autocarro sem condutor circula em cidade grega
De  Luis Guita
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A cidade de Trikala, na Grécia, é a primeira na Europa a receber um autocarro sem motorista no centro da cidade.

Especialistas de todo o mundo visitam Trikala. O gestor do projeto CityMobil2 explica que o objetivo não é substituir motoristas por computadores, mas criar novos meios de transporte público para complementar os já existentes.

«Temos acidentes, temos os engarrafamentos e poluição. Estes problemas podem ser resolvidos com os transportes públicos. Infelizmente os transportes públicos com motoristas não podem resolver tudo. O que faltava para resolver todos estes problemas são veículos automatizado,” considera o gerente do projeto do CityMobil2, Carlos Holguín.

Os autocarros, que são construídos pelo fabricante francês Robosoft, têm 5 metros de comprimento e 1,5 metros de largura e podem transportar até 10 pessoas (11 com uma pessoa em cadeira de rodas). Atingem uma velocidade de aproximadamente 20 km/hora num percurso estipulado de quase 2,5 quilómetros.

Os veículos são equipados com um GPS e um sistema de mapeamento a laser para controle de localização e movimento. Tecnologias de laser e ultra som são utilizadas para detectar obstáculos à frente e à volta do autocarro.

Cada viatura é alimentada por doze baterias que precisam de cerca de duas horas para serem recarregadas.

“É alimentado por um motor elétrico e posiciona-se através de um GPS guiado por laser. Mapeámos a cidade e o autocarro segue um caminho planeado com precisão centimétrica. Se um obstáculo é encontrado no seu caminho, a viatura tem um sistema de segurança laser que o faz desacelerar ou parar, “ esclarece o chefe técnico, Vasilis Karavadas.

As autoridades locais lançaram uma campanha de sensibilização para informar potenciais passageiros e motoristas. Mesmo assim, há motoristas que são multados por uso indevido dos corredores de transportes, e alguns optam por ignorar o novo serviço.

Na sala de controlo, os técnicos gravam tudo. Se há um problema, chamam a polícia de trânsito ou enviam um motorista credenciado para tirar o autocarro.

O jornalista Staikos Apostopolos testemunhou que “o laser de segurança do autocarro deteta qualquer objeto ou pessoa. Se a distância for inferior a dois metros e meio, o ônibus pára. Assim, não existe risco de acidente.”

“É completamente silencioso. A campainha que avisa que o autocarro está a chegar, é o único som de que me lembro. Move-se com uma velocidade impressionante, eu pensei que era muito mais lento. Os meus filhos ficaram impressionados com a suavidade na estrada,” confidenciou Despoina Samara, após uma viagem que fez na companhia dos filhos.

Mas a chegada dos novos autocarros não foi isenta de contestação. Por exemplo, os condutores temiam perder lugares de estacionamento.

O presidente da Câmara de Trikala, Dimitris Papastergiou, percebe a contestação, mas defende a sua escolha:.“Os cidadãos não aceitaram imediatamente, e faz sentido. As pessoas sentiam-se desconfortáveis, e percebo. Provocámos alguma confusão, colocámos linhas de fibra ótica, escavámos as ruas. No entanto, aos poucos, eles mudaram de ideia porque veem que Trikala é notícia por uma boa causa.”

Em fevereiro, estes autocarros vão sair de Trikala e a faixa de transportes será transformada em ciclovia. A próxima experiência é na cidade espanhola de Leon. Milão, em Itália, La Rochelle, em França e Vantaa, na Finlândia também participam no projeto-piloto CityMobil2

Integrado no projeto CityMobil2, a iniciativa é cofinanciada pelo Sétimo Programa-Quadro da União Europeia para a investigação e desenvolvimento tecnológico.