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As causas da falta de conteúdos em língua árabe na Internet

As causas da falta de conteúdos em língua árabe na Internet
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A língua árabe é uma das mais faladas no mundo, mas, está pouco presente na Internet. Segundo as Nações Unidas, a falta de conteúdos em árabe deve-se aos elevados níveis de iliteracia e à fraca penetração da Internet, nos países árabes, entre outras razões.

Há um problema com os conteúdos árabes na Internet. Mas o problema não diz apenas respeito à Internet. Trata-se de um problema geral de produção de conteúdos em língua árabe, que diz igualmente respeito às universidades e aos centros de investigação. Há restrições à liberdade de expressão.

O médico jordano Mohammad Jaber é um dos fundadores do motor de busca Mawdoo3.com. Para o empresário, a falta de conteúdos na língua materna dos utilizadores é um obstáculo à aprendizagem.

“Como médico, sou obrigado a recorrer a fontes estrangeiras para trabalhar, mas, é importante ter informação útil em árabe. É mais fácil aprender uma matéria quando se usa a língua materna. Quando não existem informações de boa qualidade na língua materna, pode haver traduções incorretas. Isso tem um impacto negativo. Se o meu filho ler informações sobre religião noutra língua, a informação pode conter erros e isso pode ter um impacto negativo”, sublinhou Mohammad Jaber.

A empresa começou a colaborar com estudantes universitários para desenvolver a secção “Saúde”, graças à tradução de artigos científicos.

“Cada cultura tem uma maneira específica de aprender. Algumas pessoas não são boas em inglês. É fundamental fornecer informação na língua materna de modo a desenvolver a cultura árabe”, acrescentou o empresário.

Em janeiro, o sítio jordano recebeu 17 milhões de visitas. A próxima fase de desenvolvimento da empresa inclui a criação de uma plataforma de comércio eletrónico.

A censura não ajuda

A censura é um dos maiores obstáculos à criação de conteúdos em língua árabe. Numerosos Estados limitam a liberdade de expressão na Internet. De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras, em 2014, o governo jordano bloqueou nove sítios de informação na Internet, alegando que não possuíam licença. A revista digital 7iber foi um dos meios de comunicação social visados. A chefe de redação do site Lina Ejeilat denuncia a censura existente no país.

“Claro que há um problema com os conteúdos árabes na Internet. E o uso dos vários tipos de língua árabe na Internet, mas esse problema não diz apenas respeito à Internet. Trata-se de um problema geral de produção de conteúdos em língua árabe, que diz igualmente respeito às universidades e aos centros de investigação. Há problemas ao nível da produção de conhecimentos. Há restrições à liberdade de expressão. Há restrições ao nível da publicação de livros e revistas. Esses elementos ajudam-nos a perceber por que razão há poucos conteúdos em árabe”, disse Lina Ejeilat.

Segundo a União Internacional das Telecomunicações, menos de 1% dos conteúdos na Internet são publicados em língua árabe. Uma percentagem reduzida tendo em conta que 4,5% da população mundial fala árabe.

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