OsROV- ou veículos operados remotamente – são utilizados nas missões demasiado arriscadas para os humanos e têm conhecido desenvolvimentos notáveis, como constatámos ao largo de Marselha.
O Janus, um navio de pesquisa científica, leva a bordo uma plataforma robótica usada para observações e manipulação de equipamento no fundo do mar. “É muito difícil para um ser humano mergulhar a grandes profundidades. É praticamente impossível ir além dos 700 metros. É necessário um robô. Por isso é que usamos os ROV para operações mais profundas”, explica-nos o engenheiro Peter Weiss.
Este ROV, em particular, é dotado de duas câmaras que fornecem, à semelhança dos olhos humanos, uma visão estereoscópica. Possui igualmente braços com três garras.
Comment sont utilisés les robots sous-marins ? Pourquoi les chercheurs veulent les contrôler de la terre ?
DexROV</a>'s Jeremi Gancet explique. <a href="https://t.co/Do1o5zPGNa">pic.twitter.com/Do1o5zPGNa</a></p>— Denis Loctier (Loctier) 11 juillet 2017
“Há espaço para progredirmos ainda mais na agilidade que temos quando manipulamos os objetos. Para além disso, estamos a trabalhar no sentido de controlar a plataforma robótica através de satélite, a partir de um centro que pode situar-se em qualquer parte do mundo”, afirma Jeremi Gancet, coordenador do projeto DexROV.
Controlar os veículos operados remotamente a partir de terra permitirá ter embarcações mais pequenas e menos dispendiosas. O Janus, por exemplo, encontra-se no Mediterrâneo e é controlado via satélite a partir da Bélgica.
Os operadores interagem num ambiente de realidade virtual, apesar de haver um tempo de atraso nos comandos emitidos. O ROV tem de possuir autonomia suficiente para trabalhar em segurança sem controlo em tempo real.
“Nós separámos as ações do robô das ações do centro de controlo. Aqui o trabalho é contínuo, em tempo real. Recorremos a um módulo inteligente que observa o que fazemos e envia essa informação ao robô que, por sua vez, desempenha as tarefas sem precisar permanentemente da nossa orientação”, aponta Javier Martínez González, especialista em realidade virtual.
A equipa de engenheiros do projeto europeu DexROV utiliza um exoesqueleto para tornar os braços robóticos mais ágeis. O operador consegue sentir o peso e a resistência dos objetos através da simulação virtual.
“Controlamos virtualmente um modelo em 3D que decompõe os movimentos a efetuar e o robô vai reconstitui-los à distância, o que permite operações com um tempo de atraso significativo”, salienta o engenheiro Pierre Letier.
Seja no mar ou em terra, esta tecnologia permite um controlo à distância cada vez mais rigoroso.
Segundo Jeremi Gancet, “este tipo de tecnologia pode ser utilizado numa plataforma móvel em terra. Estou a pensar em situações como a de Fukushima, locais que sejam perigosos para os humanos, mas onde seja necessário intervir. Esta tecnologia pode ser muito útil”.
