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Got Solar: Um projeto de energias renováveis coordenado pela Universidade do Porto

Got Solar: Um projeto de energias renováveis coordenado pela Universidade do Porto
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O projeto GOTSolar desenvolve uma investigação com um mineral conhecido como perovskita (ou perovesquita), que pode ser encontrado nas chamadas rochas metamórficas.

A perosvskita é um material relativamente raro, mas que poderá vir a revelar-se, na forma de cristais, como fundamental numa produção mais eficaz de energia solar, como a que é atualmente utilizada nos painéis solares.

As células de produção solar de perovskita podem absorver a luz em praticamente todos os comprimentos de onda. Em poucas palavras, é um material ideal para a produção de eletricidade.


Os investigadores europeus esperam que, dentro de alguns anos, a eficiência da tecnologia desenvolvida com recurso à perovskita seja igual à da tecnologia comum nos nossos dias, que recorre ao silício, ou seja, na ordem dos 22%.

A perovskita permite o desenvolvimento de células de produção de energia solar até mil vezes mais finas.

O projeto europeu recebe fundos do Horizon 2020, o maior programa europeu de investigação para a inovação, implementado pela iniciativa Innotavion Union, para desenvolver a competitividade da União Europeia na economia global.

O projeto é coordenado por Adélio Mendes, Catedrático de Engenharia Química na Universidade do Porto.


Energia solar mais barata


A tecnologia desenvolvida pelos investigadores do GOTSolar significar um acesso à energia solar com menores custos, ou seja, mais barata para o consumidor e para todo o tipo de usos.

Os cientistas utilizam uma terceira geração de células de produção solar, construídas camada por camada, como os ingredientes de uma sandes.

A células são quase transparentes, o que significa que poderão ser utilizadas nas janelas de edifícios, produzindo eletricidade.

Parte do projeto é desenvolvido na Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça.

O professor Michael Grätze dirige esta parte da investigação na instituição helvética. Explicou à Euronews as vantagens de utilizar a perovskita:

“O que é impressionante, quando utilizamos a perovskita, é que pode ser criada com procedimentos muito simples e com materiais que encontramos sem dificuldades.Permite um alto rendimento e as prestações permitem dizer que é mais eficaz do queo silício e os policristais.”

As células para a produção de energia solar contêm chumbo e são revestidas com uma camada de vidro protetor. A última camada, no entanto é feita com ouro, que funciona como um dos dois elétrodos ou dos polos.

No projeto GOTSolar, explora-se ainda a possibilidade de utilizar os dois materiais, o sílicio e a perovskita. Uma combinação de materiais que, segundo Adélio Mendes, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, traz vantagens:

“O mais extraordinário é que podemos combinar esta tecnologia com a tecnologia do silício para obter células com eficiência (na produção de energia solar) que pode chegar aos 30%”.

Adélio Mendes e a equipa que dirige em Eindhoven, nos Países Baixos, procuram desenvolver protótipos que possam integrar painéis solares em grande escala para uso generalizado.

Trabalham com o desafio de conseguir que os resultados dos testes de laboratório possam funcionar em unidades de maior tamanho, um passo fundamental para a comercialização das células de produção solar com perovskita.


Adélio Mendes disse à Euronews que, até agora, o projeto tem vindo a avançar de forma positiva. Com um dos protótipos na mão, uma célula retangular que recorda um tablet, o coordenador do projeto GOTSolar explicou que querem passar dos objetivos inicialmente definidos:

“Este protótipo pode produzir até 18 volts e 2 watts. Conseguimos atingir os objetivos do projeto, mas queremos ir mais além. Alguns aspetos desta tecnologia, no entanto, passam ainda por uma fase de desenvolvimento. Alguns desses aspetos são fundamentais, como a estabilidade da tecnologia.”

Os investigadores trabalham ainda na resistência do material, testanto como reagem os protótipos que poderão vir a integrar painéis solares às condições atmosféricas normais.

Falamos de muito sol e de muito calor, de muita luz, mas também de baixas temperaturas, de nevões, gelo e chuvas. Por agora, de acordo com Olivier Bellon, um dos investigadores, o material parece regir bem e “poderá ser comercializado em 2019” e ser utilizado em diferentes tipos de produtos.


Com António Oliveira e Silva, Ana Ruivo e Nuno Prudêncio.