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"Breves de Bruxelas": Corte na PAC terá impacto na agricultura familiar

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 "Breves de Bruxelas": Corte na PAC terá impacto na agricultura familiar
Direitos de autor  AP   -   Christophe Ena
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A Política Agrícola Comum (PAC) é um dos pilares da construção da União Europeia e até agora absorveu a maior fatia dos fundos comunitários, rondando quase 40% dos recursos. Mas a proposta de orçamento plurianual para os próximos sete anos prevê cortes na ordem dos 40 mil milhões de euros.

Perto da cidade belga de Namur, Guillaume Fastré vive da exploração agropecuária de escala familiar e teme não conseguir subsistir sem os subsídios.

"As ajudas são superiores ao salário que recebo anualmente. Portanto, se quisermos fazer um cálculo muito simples, sem subsídio fico quase sem salário. Se chegar a esse ponto, terei de procurar outro trabalho. A minha quinta passaria, infelizmente, a ser só um passatempo", disse à euronews.

O rendimento mensal dos agricultores na União Eurppeia é, em média, 40 por cento do valor do salário médio. Mas para este agricultor, que tem 290 bovinos e quase 4800 galinhas, este é também um modo de vida que deve ser preservado do ponto de vista social e ambiental.

"As quintas de pequena escala correm o risco de desaparecer se não receberem subsídios. Essa ajuda serve para manter vivo este tipo de agricultura familiar, que respeita o ambiente, mantém vivas as regiões rurais de forma economicamente viável", afirmou o agricultor.

Preocupações ambientais

Ao contrário das grandes explorações da agroindústria, que emitem muitos gases com efeito de estufa, os pequenos agricultores dizem que podem ter um papel importante na produção sustentável dos alimentos e ajudar a combater às alterações climáticas. Defendem que a PAC deve ser usada para a reconversão tecnológica.

"Ainda podemos trabalhar com os equipamentos antigos, tentaremos prolongar esse uso por mais um ou dois anos. Mas temos de evitar chegar ao ponto em que todas as máquinas começam a avariar. Para ter explorações com bom nível de produtividade, precisamos desses auxílios para o investimento em maquinaria", explicou Guillaume Fastré.

O governo de Portugal é um dos mais críticos dos cortes em fundos para a agricultura. O primeiro-ministro, AntónioCcosta diz que para acomodar despesas com novas áreas, tais como a migração e a segurança, o orçamento da União Eurpeia deve crescer, em vez de fazer cortes em políticas estruturais, tais como a da agricultura.