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Itália: Da crise pandémica à crise política

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Itália: Da crise pandémica à crise política
Direitos de autor  Guglielmo Mangiapane/AP
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Na segunda-feira no parlamento, esta terça-feira no senado, o primeiro ministro italiano, Giuseppe Comte, tenta obter o apoio necessário para continuar a governar o país.

Tanto numa câmara como na outra, o discurso é dirigido sobretudo aos liberais e pró-europeus, lembrando a todos que a principal prioridade agora deveria ser lidar com a pandemia.

"As nossas energias deveriam estar todas e sempre concentradas na resposta urgente à crise que o país enfrenta, mas em vez disso, aos olhos dos cidadãos que nos veem, parece que estamos a dispersar-nos em argumentos inúteis", disse no parlamento.

Num dos países mais afetados pela pandemia e a enfrentar uma crise sanitária sem precedentes, muitos italianos confessam pouca paciência para a guerra aberta por Matteo Renzi, que arrisca arrastar o país para mais uma crise política.

"É uma loucura. Em tempos como estes, a última coisa que queremos é uma crise política destas. Temos outras prioridades com que lidar e que nos mantêm ocupados. Poderiam facilmente ter adiado todo este caos, o que para mim soa apenas a absurdo", diz uma cidadã.

Outro acrescenta: "Penso que é um jogo de protagonismo estúpido e idiota. Estão a mostrar o quão tacanhos são na forma de lidar com isto. O país está a enfrentar uma crise muito difícil. Cada decisão exige um grande esforço de todos nós".

Ao orquestrar a saída de dois ministros do seu partido do governo de Conte, Renzi pôs em perigo a continuidade do executivo de frágil coligação. A solução está agora nas mãos do senado.

Lorenzo Castellani, analista político, traça os cenários possíveis: "Conte pode atingir a maioria absoluta e, nesse caso, pode continuar com o governo sem ter de confiar no partido de Renzi, ou uma maioria relativa. Ainda que com uma maioria relativa, desde que possa contar com apoio suficiente, a coligação pode sobreviver, mas é evidente que seria um governo muito mais fraco".

O momento é crucial. A Itália prepara o plano a apresentar até meados de abril, em Burxelas, para aceder aos 222 mil milhões de euros que lhe cabem do fundo europeu de recuperação. O grande risco, diz Lorenzo Castellani, é que o país possa não ser capaz de utilizar os recursos que recebeu da UE, devido às guerras políticas".

A obtenção da maior fatia do fundo de recuperação pós-pandemia da União Europeia é amplamente considerada como a última oportunidade para que Itália ultrapasse a crise de longo prazo.

Bruxelas está de olhos postos em Roma. Qualquer que seja o desfecho desta contenda, o cumprimento das datas é crucial, com ou sem Giuseppe Conte na cúpula do governo.