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Alemanha sem novo chanceler

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De  Teresa Bizarro  & Catarina Ruivo
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Olaf Scholz (SPD, à esquerda) e Armin Laschet (CDU, à direita) alimentam esperança de formar governo
Olaf Scholz (SPD, à esquerda) e Armin Laschet (CDU, à direita) alimentam esperança de formar governo   -   Direitos de autor  Associated Press
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Está em aberto o futuro da governação da Alemanha. Os votos presenciais estão contados, mas falta apurar os boletins enviados por correio - que este ano foram usados por uma parte significativa dos eleitores. À esquerda, os sociais democratas festejam a recuperação do eleitorado ao bloco conservador liderado pela CDU. Nada que trave a vontade de governar dos democratas cristãos.

Armin Laschet declarou-se nas últimas semanas o herdeiro de Angela Merkel e na noite eleitoral foi ao lado da ainda chanceler que agradeceu o trabalho dos últimos 16 anos.

"Pela primeira vez em 16 anos, Angela Merkel não se candidatou a chanceler. Foram 16 bons anos para a Alemanha e é por isso que os meus primeiros agradecimentos vão para a chanceler pelo bom trabalho," disse o líder da CDU.

Reconhecendo um mau resultado, mas sem admitir a derrota, Laschet mostra-se disponível para coligações. "Um voto a favor da União é um voto contra um governo liderado pela esquerda. É por isso que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para formar um governo federal sob a liderança da União. Porque a Alemanha precisa agora de uma coligação para o futuro que modernize a Alemanha agora," afirmou.

A mesma intenção de formar uma coligação do lado dos sociais democratas. As projeções apontam ganhos significativos para o SPD, face às eleições de 2017 e este domingo, o partido declarou-se vencedor das eleições.

O candidato a chanceler, Olaf Scholz, diz que a vontade expressa pelo povo não deixa margem a dúvidas. "É certo que muitos cidadãos votaram a favor do SPD porque querem uma mudança de governo e porque querem que o próximo chanceler do país seja Olaf Scholz," afirmou entre aplausos.

Uma noite com várias vitórias, uma queda estrondosa e sem um vencedor absoluto

Ao final da noite, os sociais democratas lideravam a contagem com 26% dos votos.

24,5% para os democratas cristãos - uma queda de mais de 8 pontos percentuais face a 2017 e o pior resultado desde 1949

Ao contrário, o melhor resultado de sempre para Os Verdes - 13,9% - mais 5 pontos percentuais que nas últimas eleições.

Subida mas mais tímida para os Liberais do FDP que obtêm 11,7 por cento dos votos.

Nos extremos, os partidos perderam eleitores. A Esquerda vê a representação reduzida quase para metade. A extrema-direita da AfD - o único partido fora de futuras coligações - convenceu 10,5 por cento dos eleitores - menos dois pontos percentuais que em 2017 - ano em que teve o melhor resultado de sempre.

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Fonte: ZDFEuronews

A confirmar-se a tendência, o chamado “perigo vermelho” tantas vezes agitado pelos conservadores durante a campanha pode chegar ao Governo. Os verdes e a Esquerda podem ser a chave para a maioria no parlamento, com o SPD a nomear Olaf Scholz como Chanceler.

Mas se os verdes se juntarem à CDU e ao FDP, é possível que os democratas cristãos mantenham as rédeas do país.

A constituição do próximo governo de coligação para a maior economia da Europa pode ser um processo moroso e complicado. Angela Merkel permanecerá como chanceler em exercício até que um novo governo esteja em funções.