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Covid-19 é "uma vergonha global"

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De  Francisco Marques
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Roménia é o país da União Europeia com a maior média semanal de mortos
Roménia é o país da União Europeia com a maior média semanal de mortos   -   Direitos de autor  AP Photo/Alexandru Dobre

Cinco milhões de mortos com Covid-19 em todo o mundo é "uma vergonha global", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, num comunicado onde sublinha que estes "não são meros números numa página, mas mães, pais, irmãos e irmãs".

Ultrapassar esta fasquia de mortos é "uma clara advertência" de que ainda não se pode baixar a guarda, acrescentou António Guterres, apelando à "equidade na vacinação".

As palavras do secretário-geral da ONU ganharam projeção através da porta-voz.

Florencia Soto Nino-Martinez reiterou a expressão "vergonha global" para se referir ao "facto de haver país ricos já a administrarem terceiras doses da vacina anticovid enquanto apenas 5% de toda a população de África está totalmente vacinada".

"Precisamos de inocular pelo menos 40% das pessoas em todos os países até ao final deste ano e 70% até meados de 2022", afirmou a porta-voz de António Guterres.

SARS-CoV-2 de novo a crescer

A Europa é uma das regiões onde a epidemia está a ressurgir com mais força, muito por causa dos países de leste.

A Roménia, por exemplo, com menos de 40% da população vacinada, debate-se com dificuldade contra uma nova vaga e é o país da União Europeia com a maior média de mortos da última semana: mais de 440 por dia.

Com mais de 190 mil casos ativos, há "doentes covid" em estado grave a ser transferidos da Roménia para a Alemanha depois de já terem sido enviados outros doentes romenos para a Hungria, Polónia ou Áustria.

Esta segunda-feira, a Roménia anunciou mais 6.993 infeções, incluindo 102 casos de reinfeção, com resultado positivo mais de 180 dias após o primeiro teste positivo.

O país sofreu ainda mais 322 mortes e já soma mais de 48 mil óbitos desde o início da pandemia do SARS-CoV-2.

Nos hospitais romenos há neste momento mais de 20 mil "doentes covid", incluindo 1.876 nos cuidados intensivos, num serviço público de saúde com graves problemas por resolver há anos como ficou expresso no trágico escândalo pós-incêndio na discoteca "Colectiv", em Bucareste.

Países Baixos e Grécia preocupam

Os Países Baixos também estão a registar umnovo aumento de casos, registavam esta segunda-feira uma média de mais de sete mil infeções diárias na última semana e um agravamento dos internamentos.

Já há mais de 1200 camas ocupadas, o número mais alto dos últimos cinco meses e sobretudo por pessoas não vacinadas. Há alguns serviços de saúde estão já a ser suspensos para abrir espaço para os "doentes covid" em estado grave.

Por tudo isto e depois de terem retirado a maior parte das restrições a 25 de setembro, as autoridades neerlandesas devem anunciar esta terça-feira novas medidas para tentar conter o vírus, com o regresso do uso obrigatório de máscaras e o alargamento da exigência do certificado entre os anúncios esperados.

Junto ao Mediterrâneo, a Grécia registou esta segunda-feira o recorde diário de infeções, com 5.449 diagnosticadas, e ainda mais 52 mortes, agravando o total de óbitos para quase 16 mil, num

país com apenas 60% da população vacinada já a meio deste segundo outono pandémico.

Em Portugal, os casos também estão a aumentar, mas ainda sem reflexo significativo nos internamentos, que se mantêm abaixo dos 400, nem nas mortes, cuja média semanal tem vindo a descer. Um trunfo da alta taxa de vacinação, dizem os especialistas.

Com as temperaturas a descer no país e sem o uso obrigatório de máscara em vigor, estima-se que os novos casos em Portugal cheguem na próxima semana aos 1300 diários.

Outras fontes • AP, AFP, ONU