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Bruxelas aposta na inovação para favorecer agricultura sustentável

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Bruxelas aposta na inovação para favorecer agricultura sustentável
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De  Claudio Rosmino
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A Comissão Europeia quer favorecer uma mudança de paradigma da política agrícola.

A euronews visitou a chamada Quinta do Futuro, em Lelystad, nos Países Baixos onde os Investigadores da Universidade Wageningen estão a desenvolver novas técnicas agrícolas.

O programa realizado em parceria com o projeto Nefertiti é financiado pela União Europeia (UE).

UE aposta na inovação

O objetivo da UE é criar um sistema de produção de alimentos sustentável do ponto de vista dos recursos e neutro em relação ao clima e manter a competitividade do setor agrícola graças à inovação.

“Precisamos de novas tecnologias para uma nova agricultura. Trata-se de uma combinação de agroecologia e tecnologia. Um dos aspetos principais da abordagem agroecológica é a gestão dos solos. Centramo-nos na diversidade de culturas, não apenas ao longo do tempo, como no caso da rotação de culturas, mas também no espaço, o que implica, nomeadamente, mistura de culturas e culturas intercalares", explicou Wijnand Sukkel, gestor de projetos da Quinta do Futuro, em Lelystad, nos Países Baixos.

Na prá´tica, a substituição das monoculturas por uma mistura de culturas permite criar mini-ecossistemas benéficos para a biodiversidade. Por outro lado, a rotação de culturas e as culturas de cobertura favorecem a qualidade do solo.

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WIJNAND SUKKEL, GESTOR DE PROJETOS, QUINTA DO FUTUROeuronews

A estratégia europeia Do prado ao prato

A integração da alta tecnologia nas práticas agrícolas faz parte da estratégia _Do prado ao prato_ da Comissão Europeia. Um dos objetivos de Bruxelas é aumentar o acesso à Internet banda larga nas zonas rurais para atingir uma cobertura de 100% do território, até 2025.

Reduzir a maquinaria pesada no solo

Um dos problemas da agricultura atual é o impacto da maquinaria pesada no solo. Os investigadores estão a testar um sistema de furos verticais para reduzir a densidade do solo e ajudar a escoar o excesso de água. Na estratégia europeia, os robôs desempenham um papel fundamental na medida em que permitem formas sustentáveis de produção e a recolha de dados.

“A tecnologia tem um papel importante na agricultura, porque as máquinas estavam a tornar-se cada vez maiores. Os robôs podem ser mais pequenos, o que é melhor para o solo. As máquinas pesadas causam danos no solo. Por outro lado, os sensores, satélites ou drones, dão-nos muito mais informação sobre o que se passa no campo, em termos de previsibilidade. A tecnologia ajuda o agricultor a tomar melhores decisões e apoia a tomada de decisões”, salientou Bram Veldhuisen, investigador da Universidade de Wageningen.

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BRAM VELDHUISEN, INVESTIGADOR, UNIVERSIDADE DE WAGENINGENeuronews

Soluções para o problema do azoto

Segundo os investigadores, a transição para modelos de produção sustentáveis inspira-se na ciência e nos métodos mais "naturais" de cultivo. Durante o inverno, recorre-se às culturas de cobertura, o que permite que as plantas absorvam minerais, formem proteínas e formas orgânicas de azoto que protegem e melhoram o solo. O azoto é essencial, mas, se for produzido em excesso, devido ao uso intensivo de fertilizantes, causa danos ambientais. Os investigadores fazem análises regulares ao solo antes e depois da colheita.

"No início da época, recolhemos amostras do solo para medir a quantidade de azoto que ainda resta no solo do inverno, para que possamos otimizar a fertilização. Se houver muito azoto, fertilizamos com menos azoto", disse à euronews Koen Klompe, agricultor em modo de produção biológico e investigador da Universidade de Wageningen.

A aposta na produção de energia em modo circular

A produção e o uso sustentável de energia é outra dos objetivos dos investigadores da quinta do futuro. Os cientistas querem criar um modelo circular de base biológica e neutro para o clima. Atualmente, a quinta possui painéis solares para produzir eletricidade. Em breve, um projeto vai tentar tirar partido do potencial dos moinhos de vento: trata-se de uma central de produção de hidrogénio alimentada por energia eólica.

“A partir da eletricidade poderíamos produzir hidrogénio, para usar como combustível nos nossos tratores. Já temos os primeiros protótipos. Para as máquinas mais pequenas usaremos eletricidade, para os motores, e para as máquinas maiores, usaremos hidrogénio . Para que possamos ser autossuficientes do ponto de vista energético e neutros em carbono", disse Wijnand Sukkel, gestor de projetos da Quinta do Futuro, em Lelystad, nos Países Baixos.