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Europeus questionam futuro do mercado de trabalho e comércio internacional

De  Naomi Lloyd  & Euronews
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Europeus questionam futuro do mercado de trabalho e comércio internacional
Direitos de autor  euronews

As mais recentes previsões económicas apontam para uma recuperação em curso da União Europeia. Estima-se que, até ao final de 2022, as economias da Europa regressem aos níveis pré-pandémicos.

Decisores académicos, sociedade civil e líderes empresariais encontraram-se no Fórum Económico de Bruxelas, transmitido em direto a partir dos estúdios da Comissão Europeia, para debater os desafios económicos mais prementes da União Europeia, partindo de uma questão central: como pode a Europa construir uma nova economia à medida que sai da pandemia?

As ajudas da Europa

Ao longo do ano, foram milhares os proprietários de pequenas empresas a ser afetados pela crise gerada pela pandemia. Perante a incapacidade de os governos fazerem face aos prejuízos, muitos questionam-se sobre que papel pode a União Europeia ter no seu futuro.

Em janeiro, Doville Ambrazeviciute recebia ajuda do governo para a sua loja de plantas, na Lituânia, Mas o apoio mostrou-se ser insuficiente para manter as portas abertas.

"Não vamos sobreviver, na verdade, porque temos dívidas, grandes dívidas e a economia agora está bastante lenta. O que gostaríamos de ver por parte da União Europeia seriam regras mais comuns a todos os países e a todas as empresas, independentemente da localização", afirma Doville.

Sabíamos muito bem que a crise não era um equalizador. Durante a crise, as diferenças entre as regiões, os diferentes países e os rendimentos aumentaram
Paolo Gentiloni
Comissário Europeu para a Economia

Também Greg Yurovich recebeu ajuda estatal, na Eslovénia, para manter os trabalhadores das suas duas pizarias. No entanto, hoje depara-se com novos desafios

"A questão para nós é que há falta de empregados em toda a parte na indústria hoteleira. Como é que motivamos as pessoas a voltarem ao ativo e a manterem a motivação para fazer crescer as economias?", pergunta o empresário.

O Comissário Europeu para a Economia, Paolo Gentiloni, reconhece que "as pequenas empresas foram severamente atingidas por esta crise" e diz haver "pelo menos dois instrumentos importantes para as pequenas e médias empresas. Um é o programa do Banco Europeu de Investimento e a outro é aquilo a que chamamos Invest EU".

Apesar de as mais recentes perspetivas económicas para a UE serem positivas, existe ainda o risco de pobreza e exclusão social. O comissário admite que "sabíamos muito bem que a crise não era um equalizador. Durante a crise, as diferenças entre as regiões, os diferentes países e os rendimentos aumentaram".

As esperanças de "uma sociedade mais inclusiva e menos injusta" estão agora depositadas no Próxima Geração UE, o plano europeu de recuperação com medidas de estímulo para impulsionar a economia na União Europeia avaliadas em 750 mil milhões de euros.

Os destinos e desafios do comércio internacional

Em dezembro, a empresa de Bengt Westerholm, com sede na Finlândia, tinha a maioria dos fretes presos na China. A pandemia teve repercussões que ainda hoje se fazem sentir.

"Ainda temos muito do frete aéreo em baixo. Ainda vemos algumas taxas de frete marítimo do Extremo Oriente para a Europa passaram a custar o quíntuplo ou mais. Vemos agora muitas empresas finlandesas à procura de oportunidades para ter fornecedores e o abastecimento feito na Europa ou mais perto da Europa, porque agora todos nós vemos o risco".

No entanto, a líder da OMC duvida de que o impacto da pandemia vá levar a grandes alterações no comércio internacional.

"O que estamos a ver é mais uma diversificação para outros países da Ásia, por exemplo, do que uma grande mudança para trazer tudo de volta para casa. Penso que isso vai acontecer um pouco, mas não prevemos que vá ser esmagador", afirma.

Já Laura Cardenas Corrales tem outras preocupações no que diz respeito à intervenção da União Europeia no mercado de trabalho. Após ter perdido o emprego com crise, decidiu dedicar-se ao desenho gráfico online, a partir de Espanha.

Com o impacto das alterações climáticas em mente, "gostaria de saber se no futuro vai haver algum tipo de incentivo ou ajuda às pequenas empresas, para que todo o seu sistema se torne mais amigo do ambiente".

A resposta é dada à Euronews pelo vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis.

"De facto, vai haver incentivos, em termos, por exemplo, de financiamento para a investigação e inovação. Estamos a propor o mecanismo de ajustamento das fronteiras de carbono, assegurando que as importações dos países menos ambiciosos em termos de redução de emissões estejam sujeitas a este mecanismo e não afetem a igualdade de condições de concorrência".

A União Europeia tem sido um dos maiores exportadores de vacinas. No entanto, há uma restrição à exportação em vigor
Ngozi Okonjo-Iweala
Diretora-geral da Organização Mundial do Comércio

O comércio internacional foi abalado e com o abalo surgiram muitas dúvidas entre os europeus.

No Fórum Económico de Bruxelas, a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, abordou os desafios de uma perspetiva global. À Euronews, explicou qual a importância para a Europa dos desafios enfrentados pelas economias emergentes e em desenvolvimento.

"Grande parte da razão pela qual se vê esta divergência é devido à desigualdade no acesso às vacinas. Se queremos realmente mudar esta divergência, temos de avançar rapidamente de forma a conseguir vacinas para os países e regiões que não têm acesso. A União Europeia tem sido um dos maiores exportadores de vacinas. No entanto, há uma restrição à exportação em vigor. Espero que a Europa elimine essa restrição".

Mas o vice-presidente executivo da Comissão Europeia desvaloriza as restrições.

"Antes de mais, há que salientar que a União Europeia é o maior exportador de vacinas do mundo. Desde dezembro, já exportámos cerca de 385 milhões de vacinas para mais de uma centena de países, o que representa quase metade da produção de vacinas da União Europeia. Temos este sistema de autorização e monitorização de controlo da exportação, mas, de um modo geral, não está a restringir as exportações de vacinas".

Houve pessoas que ficaram desempregadas e 1,3 milhões dessas pessoas são mulheres, portanto, é preciso garantir que as mulheres voltam a entrar no mercado de trabalho
Ngozi Okonjo-Iweala
Diretora-geral da Organização Mundial do Comércio

Já em relação aos desafios que a Europa enfrenta, numa altura em que procura construir uma nova economia, Ngozi Okonjo-Iweala alerta para as "pressões inflacionistas", "devido à extensão do estímulo que muitos países em desenvolvimento implementaram", apesar de, na sua opinião ter sido uma boa medida.

Outro desafio, continua, é o da inclusão. "Houve pessoas que ficaram desempregadas e 1,3 milhões dessas pessoas são mulheres, portanto, é preciso garantir que as mulheres voltam a entrar no mercado de trabalho".

Do lado da União Europeia, Valdis Dombrovkis garante que o tema "é uma prioridade de longa data na União Europeia, tal como a abordagem à discriminação de género, às disparidades salariais entre géneros".

Por último, a diretora da OMC julga "que África não vai recuperar rapidamente" e isso "pode também vir a ser um problema ou um desafio que a Europa precisa de encarar". Algo que, de acordo com o comissário europeu está contemplado pela nova estratégia de política comercial, que determina que os vizinhos da União Europeia eram o Sul e o Leste e África, como regiões prioritárias para a cooperação".