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EAU criam "vistos verdes" para dinamizar o mercado laboral

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De  Euronews
EAU criam "vistos verdes" para dinamizar o mercado laboral
Direitos de autor  euronews   -   Credit: Dubai

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) atualizaram as regras para a atribuição de vistos. A introdução de um "visto verde" de cinco anos, para trabalhadores qualificados, trabalhadores por conta própria e investidores é uma das medidas mais esperadas. A iniciativa promete ter impacto no trabalho, investimento e na inovação, à medida que o país procura aumentar a sua vantagem competitiva

Shiraz Sethi, Chefe Regional de Emprego da Dentons & Co, diz que tem havido um empurrão do governo dos EAU para assegurar que o panorama do emprego na região vá acompanhando a mudança dos tempos. 

De acordo com o especialista, o trabalho remoto e temporário eram áreas do universo laboral que precisavam de ser revistas ainda antes da pandemia. "Eram coisas que anteriormente não faziam parte da lei laboral dos EAU e impulsionou realmente os EAU como um local de trabalho, porque está a dar a pessoas de diferentes origens [a oportunidade] de entrar e trabalhar nos EAU".

Vantagens para expatriados

Antigamente as renovações de vistos de trabalho tinham de ser feitas no máximo de 3 em 3 anos, com um patrocinador. O novo visto verde de cinco anos vem trazer não só mais estabilidade e flexibilidade, como também um estímulo adicional ao mercado de trabalho, através de novas vantagens:

  • Patrocínio próprio de cinco anos para indivíduos elegíveis;
  • Autorizações de residência para filhos, cônjuge e membros da família imediata;
  • Patrocínio de crianças do sexo masculino até aos 25 anos e filhas, independentemente da idade;
  • Um período de de seis meses para permanecer nos Emirados Árabes Unidos, se o visto expirar, ou for cancelado

Alterações à política de imigração

A mudança surge quando recentemente o país implementou um "visto dourado" de 10 anos para talentos excecionais, investidores, trabalhadores qualificados e empresários, provocando a maior mudança jamais vista na política de imigração do país.

James Watfa, Director Geral da Executive Solutions, detetou que algumas das carências no setor das qualificações nos EAU se verificam nos campos dos cuidados de saúde e da tecnologia. Para o empresário, "o novo visto dará às pessoas muito mais flexibilidade e dará às empresas que já estão aqui sediadas uma maior reserva de talentos onde vão poder captar especificamente esses nichos de competências".

Ele também prevê que o mercado temporário e de contratos irá aumentar, "espero que haja muito mais contratos de três, seis e 12 meses a serem adjudicados onde se encontrar o talento, [e que ele esteja] aqui em vez de estar no estrangeiro".

Deslocação no mercado de trabalho

O trabalho por conta própria, com um maior equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar, tem-se tornado cada vez mais popular devido pandemia. Para capitalizar as novas regras, as empresas precisam agora de pensar de forma diferente.

Ali Draycott, trabalhadora independente e fundadora da Ali Draycott Ideas, defende que "os empregadores precisam de pensar mais em estabelecer desafios. Os freelancers são brilhantes na abordagem de desafios. Querem desafios no currículo. Não estão [no trabalho] por um título profissional. Eles estão lá porque querem ir ao encontro das suas necessidades".

Atrair e reter o talento global

Com a perspetiva de um aumento do desemprego a nível global, estes novos regulamentos pretendem rapidamente tornar os Emirados Árabes num destino laboral mais atrativo.

Neste cenário, Shiraz Sethi, acredita que os EAU são agora uma opção atrativa.

Os EAU fornecem uma plataforma realmente estável neste momento particular, com estas novas iniciativas, com estas novas condições de trabalho, para atrair os melhores talentos de todo o mundo a entrar nos Emirados e a tirar partido de um bom ambiente de trabalho”, defende.

Para James Watfa,  muitas empresas que queiram instalar-se na região vão também beneficiar das novas regras para os vistos, uma vez que as empresas que ainda não conhecem o mercado, "não querem o enorme custo da criação de um escritório. E isto permite-lhes enviar alguns dos seus funcionários para analisar o mercado, e desenvolv~e-lo com um 'visto verde'. Uma vez criado e compreendido o mercado, podem então começar a mudar-se e a montar os seus gabinetes".