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China: Galeries Lafayette encerram loja em Pequim treze anos após a abertura

As Galeries Lafayette, em Paris, na sexta-feira, 20 de março de 2020
As Galeries Lafayette, em Paris, na sexta-feira, 20 de março de 2020. Direitos de autor  AP Photo/Thibault Camus
Direitos de autor AP Photo/Thibault Camus
De Nathan Joubioux
Publicado a Últimas notícias
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Grupo francês esclarece que não abandona em definitivo a capital chinesa, já que tenciona concentrar-se numa seleção de marcas e produtos mais adequados às novas expectativas dos consumidores chineses.

O grande grupo de luxo francês Galeries Lafayette encerrou esta quarta-feira, 27 de maio, a sua primeira loja emblemática na China, treze anos depois da inauguração. A cadeia justifica esta decisão com a quebra das vendas nos últimos anos.

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Se é certo que o mercado do luxo registou um forte crescimento a meio da década de 2010, graças em particular à ascensão da classe média, a pandemia de Covid-19 e a grave crise imobiliária marcaram um ponto de viragem, travando bruscamente o consumo interno chinês e obrigando o setor a adaptar-se a novas realidades económicas.

"Assistimos a uma década de crescimento do setor do luxo na China. Ao longo destes anos, o consumidor chinês amadureceu muito. Conhece hoje melhor o consumo de luxo e as marcas. Familiarizou-se com este universo e os seus gostos tornaram-se mais apurados e sofisticados", explica Lisa Nan, redatora no Jing Daily.

"Se olharmos para os jovens consumidores de hoje, percebemos que talvez já não estejam apenas atraídos pelas marcas, mas antes por lojas pop-up imersivas e pelas inúmeras iniciativas de marketing na China", acrescenta.

Lisa Nan prossegue, recordando que o grupo francês já tinha anunciado a intenção de reavaliar todo o seu portefólio imobiliário na China. "Por isso penso que esta decisão tem mais que ver com uma opção interna, já que a localização destes espaços era bastante desfavorável", afirma. E precisa depois: "No que toca ao retalho, é verdade que enfrenta um grande desafio na China, e não apenas para as Galeries Lafayette, mas também para a Lane Crawford".

Presença na China continua forte

Esta terça-feira, na véspera do encerramento, um fluxo constante de clientes percorreu a loja para aproveitar as últimas promoções, enquanto os funcionários embalavam a mercadoria por vender e os manequins.

Qian Linlin, trabalhadora do setor financeiro com escritório a poucos passos da loja emblemática de Pequim, disse ter ficado surpreendida ao saber que o centro comercial que visitava ocasionalmente na hora de almoço iria encerrar. "Notei que não havia muitos clientes, mas nunca imaginei que um dia fosse fechar de repente e desaparecer", declarou. "Quando abriu, na altura era também um edifício emblemático e nós, os jovens, vínhamos todos fazer compras. Agora só nos restam as memórias".

Este grande armazém de seis pisos e 48.000 m², situado a três quilómetros a oeste da Cidade Proibida, estava a ser esvaziado de malas de mão, roupa, sapatos e brinquedos para crianças antes de encerrar as portas por tempo indeterminado.

Ainda assim, as Galeries Lafayette não vão abandonar definitivamente a capital chinesa. "Não fiquem tristes, isto não é um adeus. Até breve, Pequim", escreveu o grupo francês num comunicado. Pelo contrário, a cadeia pretende agora apostar em lojas mais funcionais, com maior foco na seleção de marcas e produtos.

"As expectativas dos consumidores em relação ao modelo tradicional de grandes armazéns evoluíram de forma significativa. Os compradores modernos dão cada vez mais prioridade à conveniência, a um serviço de maior qualidade, a experiências mais marcantes e a uma maior sensação de bem-estar", escreveu ainda o grupo no mesmo comunicado.

As Galeries Lafayette garantem também que este encerramento não põe em causa a sua presença na China. As lojas de Xangai, Shenzhen e na Região Administrativa Especial de Macau vão continuar a funcionar.

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