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França: muçulmanos temem instrumentalização da identidade de Merah

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França: muçulmanos temem instrumentalização da identidade de Merah

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Os muçulmanos em França temem que a identidade do assassino de Toulouse e Montauban seja explorada contra a comunidade islâmica.

Face aos principais receios – a “instrumentalização” das escolhas religiosas de Mohamed Merah ou a “estigmatização” de toda uma crença -, os líderes muçulmanos franceses têm multiplicado os apelos contra a tentação de fazer uma “amálgama” entre o comportamento de um extremista e uma religião pacífica.

Em Paris, uma jovem muçulmana diz que a sua comunidade vai voltar a sofrer as consequências de uma “amálgama. O Islão volta a ver-se afetado”.

Outro jovem acrescenta que “não é a primeira vez e, infelizmente, não será a última”.

Depois de ter sido recebido no Palácio do Eliseu, o presidente do Conselho francês do Culto Muçulmano sublinhou que “os atos [cometidos por Mohamed Merah] não podem ser justificados, em nenhum caso, pela religião muçulmana”.

Didier Burnod, euronews: “Falamos com Abdellatif Mellouki, vice-presidente do Conselho regional do Culto Muçulmano, em Toulouse. Depois dos acontecimentos trágicos que se produziram, como se sente a comunidade muçulmana na região de Toulouse?”

Abdellatif Mellouki: “Sobretudo agora, está bastante inquieta, com respeito às reações das pessoas, que vão continuar a fazer uma amálgama. Há um certo sentimento de medo, que é compreensível. E estamos num período eleitoral, o que não facilita as coisas.”

EN: “Justamente, estamos em plena campanha eleitoral em França. Há quem alerte contra o aproveitamento político, já pudemos aperceber críticas e acusações entre determinados candidatos; qual é a sua opinião?”

AM: “Estive com alguns dos pretendentes à presidência ontem, durante a cerimónia em homenagem aos soldados em Montauban. Falei com eles e pedi-lhes para manterem uma forte vigilância, particularmente a respeito desses aproveitamentos. E, sobretudo, confio particularmente nos meios de comunicação, para não fazerem uma amálgama com os muçulmanos praticantes que fazem uma vida normal, sejam operários, investigadores ou universitários, que fazem parte da comunidade nesta região. Cabe aos políticos e aos media a responsabilidade de não caírem na amálgama e na islamofobia, que vai exatamente empurrar algumas pessoas para o extremismo.”

EN: “Uma última questão: qual é a mensagem que pretende transmitir, como responsável da comunidade muçulmana?”

AM: “Primeiro, para a comunidade muçulmana, a mensagem que quero deixar é para não ceder ao pânico e sobretudo continuar a viver normalmente e a ser extremamente prudente. Com respeito às outras pessoas, seja qual for a sua religião – ou mesmo se forem ateus, sem qualquer religião -, que sejam sobretudo compreensivas, que vão ao encontro dos outros, que tentem compreender e comunicar com os outros. Não é através da ignorância que podemos julgar, mas sim através da compreensão e, sobretudo, das trocas e dos encontros com os outros.”