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Europa combate terrorismo na internet

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Europa combate terrorismo na internet

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Os atos de violência em Toulouse, esta semana,
voltaram a colocar o terrorismo na ordem do dia em França e em toda a Europa.

Muitos grupos ligados à Al Qaeda aproveitam-se da internet para atrair e recrutar jovens de origem muçulmana no ocidente. Jovens desenraizados e que as sociedades não aceitam por completo.

A Comissão Europeia está atenta ao fenómeno. O
coordenador da luta antiterrorista da União,
Gilles de Kerchove, estima que centenas de jovens europeus passaram por campos de treino da Al Qaeda, no Afeganistão e Paquistão.

“Não tenho números exatos. Diria que existem umas centenas, se tomarmos em consideração o conjunto da União Europeia,” avança Kerchove.

A Europa está a tomar medidas para combater os extremismos. O presidente francês, Nicolas Sarkozy defendeu a penalização de quem consulta “sítios” radicais. A Holanda vai intensificar as investigações de sítios radicais na internet.

Gilles de Kerchove diz que “a Internet é, infelizmente, uma incubadora de radicalismos. É bastante comum os terroristas desumanizarem as suas vítimas, de tal modo, que deixam de sentir as consequências das suas ações. Devolver-lhes a sua voz, colocar as vítimas de volta à linha da frente, mostrar as consequências abomináveis ​​das ações terroristas, de certa forma, contribui para remover o ‘glamour’ do ato terrorista.
Dessa forma, é preciso desenvolver políticas concretas de contra narrativas.”

Estima-se que em todo o mundo 25 mil muçulmanos radicais participam em fóruns secretos na internet.

Toulouse: o drama psicológico

Angústia, o medo e o pesar. A morte de quatro pessoas, entre as quais três crianças, no dia 19 de março às portas de uma escola judaica em Toulouse, despertou emoções fortes assim como outras reações psicológicas negativas principalmente entre aqueles diretamente envolvidos no drama.

A psicóloga Hélène Romano foi entrevistada pelo repórter da euronews Giovanni Magi e analisa o impacto psicológico destes atos terroristas sobre a população assim como a sua mediatização.

Giovanni Magi: Primeiro os atos terroristas, mesmo com o assassinato das crianças na escola, a seguir o alívio de saber que o responsável foi identificado, depois as longas negociações. Quais as consequências psicológicas de tudo isto para as pessoas?

Hélène Romano, psicóloga: O impacto é considerável tanto mais pelo facto de que aconteceu numa escola e que as vítimas incluem crianças. E também porque o assassino, e aqui vou usar um termo da linguagem comum, tem um aspeto normal quando esperávamos encontrar alguém monstruoso. Isso é algo muito desestabilizador ao nível psicológico porque não é de todo reconfortante. Por isso, pode haver um impacto em termos de insegurança psicológica, psíquica, a nível individual… daí a importância das reações dos adultos para proteger as crianças em particular.

GM:Do ponto de vista das comunidades, neste caso das comunidades judaica e muçulmana, qual é a dinâmica psicológica presente nestes casos?

HR: Pode levar a posições de vitimização ou mesmo perseguição em ambas as partes. “Mataram-nos porque somos judeus” ou “ele foi morto porque é muçulmano”, gera-se uma certa confusão e polarização, diminui consideravelmente a confiança entre as partes. Esta polarização, frequentemente comunitária, pode gerar paranóia o que aumenta as dificuldades. Por exemplo, a propósito do minuto de silêncio nos estabelecimentos escolares públicos registaram-se algumas reações muito agressivas em escolas de maioria muçulmana quando se tratou de fazer um minuto de silêncio pelas crianças mortas numa escola judaica. É assim porque cada um se sente atacado pelo outro. É aqui que os responsáveis políticos têm um papel fundamental na contenção das dificuldades.

GM: A sobre-exposição proporcionada pela comunicação social nestas ocasiões não cria riscos?

HR: De facto, trata-se de um risco. O problema é que é tudo muito precipitado. Estamos em direto, não no interior do apartamento, mas no restante acompanhamos tudo em direto. Isto provoca uma espécie de excesso de dramatização. Volto ao exemplo do que se passou em Toulouse. Soubemos os detalhes sobre como a menina foi morta. É muito dramático e não traz nada de novo às pessoas saberem os detalhes de como a criança morreu. Vimos os jornalistas, igualmente apanhados pela emoção, a exagerarem. Não há tempo para refletir e esta questão requer tempo para que possa ser assimilada e compreendida. Neste caso houve uma grande precipitação.