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Fadwa Suleiman: atriz da revolta contra Assad

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Fadwa Suleiman: atriz da revolta contra Assad

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Refugiada desde ontem em Paris, Fadwa Suleiman tornou-se num dos principais ícones da revolta contra o regime sírio.

Residente em Homs, a atriz de sucesso no país decidiu assumir o mais importante papel da sua vida ao dar uma cara à revolta contra os ataques do exército sírio sobre a cidade bastião dos rebeldes.

Desde a sua aparição à cabeça de uma manifestação anti-Assad em Novembro, Suleiman, de origem Alauíta, como o presidente sírio, representa uma arma simbólica da contestação.

Protagonista em vários vídeos gravados pela oposição, a atriz decidiu abandonar o país por razões de segurança, através da fronteira da Jordânia e encontra-se desde ontem em Paris onde participou já numa manifestação anti-Assad.

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
Entrevistámos a atriz e ativista síria Fadwa Suleiman, que conseguiu deixar o país há poucos dias e que se encontra atualmente em Paris. Como é que saiu da Síria?

Fadwa Suleiman, atriz e ativista síria:
Claro que foi difícil sair da Síria. Fi-lo ilegalmente. Vai-me desculpar mas não posso dizer como é que deixei o país porque há outros sírios que querem sair do país para escapar aos massacres e aos assassínios.

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
Deixou a Síria há dois dias. Qual é a situação no país?

Fadwa Suleiman, atriz e ativista síria:
Lamento dizê-lo, mas chegámos a um beco sem saída porque não há solução política. A revolução transformou-se em luta armada e esse não era o nosso objetivo. É apenas uma reação à violência do regime sírio. Se agora utilizamos armas para acabar com a ditadura, depois não pode haver democracia.

Quem conseguir derrubar o regime através das armas não nos vai trazer a democracia, vai derramar mais sangue, vai perpetrar mais massacres. Estamos a falar de um problema sério também para os nossos líderes que estão a lidar com esta situação há mais de um ano sem resultados satisfatórios, sem solução política na nossa opinião.

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
Está a falar de que políticos? Da oposição ou no poder?

Fadwa Suleiman, atriz e ativista síria:
Não. Dos da oposição obviamente.

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
Está a dizer que a oposição síria está errada na maneira como lida com a revolução?

Fadwa Suleiman, atriz e ativista síria:
Sim, eles não conseguiram encontrar uma solução pacífica para esta revolução. Estamos contra o armamento da população.

Para derrubar este regime dúbio, que diz uma coisa e faz outra, é óbvio que não queremos que os líderes da oposição façam a mesma coisa. Senão vão tornar-se noutra face do regime. Os líderes da oposição não foram honestos connosco.

Não nos disseram claramente o que ia acontecer, não nos mostraram um programa ou uma estratégia. Não se identificaram. Não nos disseram a que organizações pertencem.

Quem são os membros do Conselho Nacional Sírio? Quem são eles? Nós não sabemos. Só conhecemos alguns deles.

De aparência parecem não ser religiosos, mas se calhar pertencem a outra coisa qualquer. Não nos mostraram qualquer documento para provar que têm uma estratégia. Organizam muitas reuniões, mas sem quaisquer resultados.

Mohammed Shaikhibrahim, euronews:
É capaz de dizer quem são essas pessoas, dizer nomes de pessoas ou de partidos que, como diz, estão a tirar proveito da situação síria, de uma certa forma?

Fadwa Suleiman, atriz e ativista síria:
Sim. Direi os nomes um dia, mas não agora.

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