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Segundo mandato de Obama

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Segundo mandato de Obama

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Barack Obama inicia o novo mandato sem mais condicionantes eleitorais: está livre para se bater, nos próximos anos, pelas reformas que tanto defende.

Quando ganhou as presidenciais de novembro, relembrou as prioridades, algumas fixadas em 2008.

Barack Obama, presidente de Estados Unidos:

“Nas próximas semanas e meses, vou a trabalhar com os líderes dos dois partidos para enfrentar uma crise que só pode ser combatida com união para reduzir o déficit, para reformar a política fiscal e a lei da imigração, reduzir a dependência do petróleo estrangeiro…enfim, espera-nos uma gigantesca tarefa…”

Obama prometeu aumentar os impostos dos mais ricos e conseguiu convencer os republicanos. Mas até ao final de março, os republicanos têm de chegar a um novo acordo sobre o aumento do teto da dívida e sobre a redução das despesas federais. Obama ainda não ganhou a aposta, segundo o analista Thomas Mann, da Instituição Brokings:

“Nestes tempos tão extremamente polarizados, não acho que exista capital político. Certamente os republicanos não respeitaram o capital ganho depois da surpreendente vitória nas eleições de 2008. Os republicanos opuseram-se a praticamente tudo o que Obama tentou fazer.”

Durante a crise orçamental de 2011, o presidente tentou aproximar-se dos republicanos convidando o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner para um jogo de golfe…sem grandes resultados.

Assim, quando o criticam sobre a falta de disponibilidade pessoal e de sociabilidade, defende-se:

“Simpatizo bastanto com o porta-voz Boehner. E quando jogámos golfe, foi ótimo. Mas não foi suficiente para chegar a um acordo em 2011. Quando celebramos o piquenique do Congresso, e todos mostram as fotos de família, Michelle e eu somos simpáticos com todos, e passamos um dia agradável.
Mas isso não os impede de irem para o Congresso acusar-me de despesismo socialista.”

No entanto, o presidente reconhece que vai dispor de mais tempo para a vida social neste segundo mandato, porque as duas filhas creceram e já não precisam de estar tanto tempo com o pai.

Ian Millhiser do Centro americano para o Progresso, está com a euronews, em duplex:

Queremos ouvir a sua opinião de analista da política constitucional sobre o este novo mandato de Obama.

Há um aceso debate sobre o balanço do primeiro exercício, desequilibrado entre o que foi prometido e o que foi feito.

Na agenda de Obama há muitos assuntos por resolver, mas em que sera que vai pôr mais energia?

Ian Millhiser – As prioridades são o controle das armas e a política de imigração. São as duas questões que quer resolver de uma vez por todas.
O problema é que a Câmara dos Representantes pôs em marcha táticas muito perigosas. Refiro-me por exemplo às ameaças de não votar pelo incremento do teto da dívida ou de não apoiar o governo se Obama não aceitar importantes cortes nas ajudas aos idosos e a outros grupos que dependem, em grande parte, dessas ajudas

Infelizmente, Obama vai ter de fazer frente a uma oposição agressiva e, se tiver sorte, conseguirá amenizar as coisas.

euronews – Os norte-americanos estão muito ligados à Constituição. Que consequências pode ter a controvérsia sobre a posse de armas?

Ian Millhiser – A segunda emenda da Constituição de Estados Unidos providencia alguma proteção em relação às armas de fogo, o que já foi interpretado pelo SupremTribunal como um direito individual às possuir.
No entanto, acho que o mito da segunda emenda supera a realidade dessa mesma segunda emenda.
A interpretação de que falo é de um dos juízes mais conservadores do Supremo Tribunal, Antonin Scalia, mas mesmo assim, deixa muitas portas abertas a toda uma série de iniciativas. O presidente e o Congresso têm uma ampla margem de manobra para promulgar leis responsáveis sobre as armas de fogo”

euronews – Até que ponto os difíceis compromissos adquiridos para evitar o precipício fiscal podem afetar os esforços de Obama para impulsionar a economia e o emprego?

Ian Millhiser – A próxima grande batalha será em fevereiro, quando quando o Congresso se vai reunir para votar a ampliação do teto sobre a dívida.

É um projecto de lei completamente rotineiro, que durante décadas foi aprovado sem polémicas nem tensões, mas que agora provoca vagas de inquietaço na economia mundial.

Todo mundo sabem que não se pode hesitar em termos de economia mundial.

Pela primeira vez na história, em 2011, os republicanos decidiram utilizá-lo como moeda de troca. Por isso acho vital que o presidente Obama encontre um meio de impedir que isto se transforme em hábito.

Uma coisa é temos desacordos e negociarmos a nossa política fiscal. E outra coisa muito diferente é recorrer à extorsão, ao sequestro.

É o que está a suceder aqui; e se matam o refém o mundo pode cair numa recessão catastrófica.

euronews – Este segundo mandato vai ser tão emocionante como o anterior? Com tantas expetativas como há quatro anos?

Ian Millhiser – Penso que ainda vai haver entusiasmo. Mas, desta vez, muitos votaram também pela sua experiência.
Apesar da satisfação geral, não creio que Obama consiga a mesma quota de popularidade que no mandato anterior.