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Sair da UE trará mais autonomia ou isolamento ao Reino Unido?

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Sair da UE trará mais autonomia ou isolamento ao Reino Unido?

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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu, esta quarta-feira, fazer um referendo antes do final de 2017 sobre a permanência do país na União Europeia (UE), num discurso em Londres.

Cameron disse, ainda, que o país quer manter-se no coração da UE, mas só se renegociar normas europeias que considera restritivas para o país.

“Hoje, a desilusão da opinão pública com a UE atingiu um dos pontos mais altos. Há várias razões para isso. As pessoas sentem que a UE caminha numa direção que não subscreveram e ressentem-se da interferência na vida nacional, através de regulamentação que consideram desnecessária. Questionam-se sobre o mérito de tudo isso”, afirmou o chefe do executivo.

O primeiro-ministro anunciou que, se o Partido Conservador for reeleito, em 2015, o governo vai negociar um novo acordo para o relacionamento com os parceiros europeus.

Ao fim de 40 anos na UE, o país não quer aderir ao euro, mas continua interessado num ponto muito específico.

“Será uma relação com o mercado único no centro. E quando terminarmos a negociação desse acordo, apresentaremos ao povo britânico um referendo com uma pergunta simples sobre se quer ficar dentro ou fora da UE face às novas condições. Será um referendo entre ficar dentro ou fora”, acrescentou Cameron.

Para discutir em pormenor o impacto deste discurso, a correspondente da euronews em Bruxelas, Fariba Mavaddat, falou com Nigel Farage, líder do Partido Independente do Reino Unido, e com Richard Corbett, conselheiro de Herman Van Rompuy, que é presidente do Conselho Europeu.

De entre as várias posições expressas nas estrevistas, destaque para as seguintes:

“Não obtemos nenhumas vantagens da nossa permanência na UE. Temos uma quantidade excessiva de regulamentação que é prejudicial às pequenas empresas. Temos uma agenda para as alterações climáticas completamente louca, que leva as nossas indústrias transformadoras a partirem para a Índia e outros países. E em nome desses privilégios e por ser um importador de da União Europeia em grande escala, somos convidados a pagar 50 milhões de libras por dia. Eu não vejo um único benefício económico para a Grã-Bretanha pelo facto de ser parte desta união”, disse Nigel Farage.

Richard Corbett, por seu lado, realça que “se o povo britânico votar a favor da saída da UE, isso deixaria o Reino Unido isolado, separado dos seus principais mercados de exportação, dos países vizinhos com os quais tem trabalhado há várias décadas, num quadro comum estabelecido para que os países europeus possam cooperar. A UE perderia um estado-membro proeminente. Como o Presidente Van Rompuy disse há um mês, “seria como ver um amigo caminhar para o deserto”.”