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Que desafios enfrenta a Igreja Católica?

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Que desafios enfrenta a Igreja Católica?

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Quem será o próximo Papa a aparecer nesta varanda, sete anos após a Igreja ter apresentado ao mundo Bento XVI? Quais os desafios que se avizinham?

A viver uma época conturbada, a Igreja precisa de um líder carismático que a guie nos difíceis caminhos que se adivinham. O próximo Papa terá de unir a igreja, gerir todos os escândalos que se abateram sobre a instituição, nos últimos tempos, e aplicar reformas de modo a aproximar mais a igreja dos fiéis.

É com esses desafios em mente, que os 115 cardeais eleitores vão eleger o novo líder dos católicos.

O sucessor de Bento XVI terá em mãos limpar a imagem da Igreja depois das várias polémicas. O caso “Vatileaks”, que envolveu documentos secretos do Vaticano, tornados públicos e que revelaram a existência de uma rede de corrupção, nepotismo e favoritismo, relacionados com contratos a preços inflacionados com os seus parceiros italianos. Os casos de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja, em vários países do mundo, abalaram a confiança dos fiéis na instituição.

Os escândalos e as posições conservadoras da Igreja têm levado a que um número cada vez maior de fiéis abandone a congregação, na Europa e nos Estados Unidos da América. A incapacidade da instituição em se adaptar às novas realidades do mundo, como o casamento homossexual, o uso do preservativo e o celibato dos padres ou a ordenação de mulheres, têm vindo a afastar os jovens da congregação católica.

Outra questão que o futuro Papa terá de enfrentar é a crise de vocações que atravessa a Igreja. São cada vez menos os jovens que procuram abraçar o sacerdócio.

Há 50 anos o Concílio Vaticano II lança as bases de uma nova era para a Igreja Católica, simbolizando a abertura para o mundo moderno e para cultura contemporânea. Muitas das questões abordadas no Concílio, estão ainda por cumprir.Bento XVI, disse, recentemente que é cedo para um Concílio Vaticano III. Resta saber se o novo Papa tem a personalidade e o carisma necessários para restaurar a confiança na Igreja Católica.

Que desafios enfrenta a Igreja Católica neste período de escolha do sucessor de Bento XVI? Conversamos com Giacomo Galeazzi, jornalista no La Stampa, de Turim, e autor de um blogue sobre os assuntos da Santa Sé.

euronews: A Igreja teme um pontífice demasiado jovem e um pontificado demasiado longo?

Giacomo Galeazzi: “O exemplo é o de Karol Woytila, eleito Papa aos 58 anos; chefe da Igreja durante mais de um quarto de século. Bento XVI, quando renunciou ao seu posto, o trono de Pedro, indicou que a igreja necessita de uma energia forte e vigorosa. Portanto, penso que a juventude já não é uma limitação, o mais importante será a orientação, a capacidade de governar e também a capacidade de comunicar”.

euronews: Quais são os desafios da Igreja Católica para reconquistar fiéis, em especial no chamado mundo desenvolvido?

Giacomo Galeazzi: “O facto de Bento XVI ter criado o ministério do Vaticano para a nova evangelização já quer dizer muito. O Ocidente, de onde durante séculos partiram os missionários rumo ao terceiro mundo, tornou-se num local de uma nova evangelização. Quer dizer que os missionários vêm do Sul para o reevangelizar. Acredito que, dentro desta perspetiva, é necessário entender o projeto futuro de dialogar não apenas com as outras religiões, mas também com os agnósticos, como Bento XVI fez muito bem, afirmando que são um novo terreno de confrontação para a Igreja. Ele chegou mesmo a dizer que mais vale um agnóstico que se interroga sobre as questões do que uma falsa fé, uma fé aparente. É aí que o Papa, perante a nova secularização, perante as novas formas de relativismo, pode jogar um papel fundamental já que ou a Europa será cristã ou não o será”.

euronews: Qual será o peso do tristemente conhecido dossier sobre os escândalos, pedido por Ratzinger a três cardeais e que deverá ser entregue apenas ao sucessor de Bento XVI?

Giacomo Galeazzi: “Entre os últimos atos do seu pontificado, Joseph Ratzinger encontrou-se com os três cardeais que se ocuparam do dossier ‘vatileaks’: Tomko, de Giorgi e Erranza. O Papa autorizou-os a revelarem os resultados das investigações aos outros cardeais nas congregações gerais. Isso é um gesto de abertura. O texto será entregue ao próximo Papa, mas os novos cardeais podem informar-se diretamente junto dos investigadores que dirigiram os inquéritos sobre o ‘vatileaks’ e sobre os resultados da investigação. Penso que isso é uma coisa muito importante. É por isso que a Cúria quer começar o conclave o mais depressa possível. Quanto mais tempo passar, mais os cardeais fora da Cúria terão tempo para compreender e aprofundar o que se passou verdadeiramente no caso ‘vatileaks’ e menos probabilidades existirão para um membro da Cúria se tornar Papa. Convém também recordar que se o conclave for longo, também os cardeais que são favoritos à partida o podem deixar de ser, tal com aconteceu em 1978 com o ‘outsider’ Woytilia, o que levou a que, pela primeira vez em 500 anos, tivéssemos um Papa estrangeiro, que não era italiano”.