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Tuberculose: uma injeção de esperança

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Tuberculose: uma injeção de esperança

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Antigamente, chamavam-lhe a peste cinzenta. Hoje, a tuberculose é uma doença de que se fala muito pouco, mas que continua a transformar a vida de quem a tem num inferno.

“Tinha duas opções: ficar hospitalizado e as pessoas só poderiam visitar-me com uma máscara ou tratar-me em casa e vir aqui diariamente tomar a medicação perante uma enfermeira. Optei por esta segunda opção. Se por alguma razão, tinha de entrar em algum local, ou comprar pão ou fazer algo de vida diária, tinha de pôr a máscara”, conta Alfredo Cabaleiro Besada, sobre o momento em que lhe foi diagnosticada tuberculose.

Alfredo recuperou de uma doença que ainda mata um milhão e meio de pessoas todos os anos. Só na Europa são diagnosticados todos os anos cem mil novos casos.

“A doença vai provocando uma série de buracos no pulmão, parecidos com os do queijo, e uma vez que se tenha estabelecido o bacilo no pulmão, através do sangue se pode transmitir a qualquer outro órgão: cérebro, ossos, qualquer sítio que esteja irrigado”, explica o médico Rafael Vázquez do Hospital Nicolás Peña.

Neste laboratório biofarmacêutico que não fica longe do hospital, cientistas de um projeto de investigação da União Europeia tentam encontrar respostas para os desafios que a doença coloca. Um esforço a longo prazo…

“Quando eu acabei Medicina, em 82, a Organização Mundial de Saúde falava da erradicação da tuberculose no ano 2000. Agora prevê-se para 2050 e esta erradicação só vai ser possível se existem novos diagnósticos mais rápidos, novos fármacos que estamos a perder contra a tuberculose, porque aparecem espécies mais resistentes”, afirma Carlos Martín, microbiologista, Universidade de Saragoça.

O primeiro resultado do projeto é uma potencial vacina, que está a ser desenvolvida no laboratório. Trata-se de uma vacina viva baseada numa versão fortemente enfraquecida da bactéria que causa a doença.

Os investigadores esperam que este facto torne a vacina mais segura e eficaz, mas a fabricação não é nada fácil…

“O cultivo de uma micro bactéria viva numa escala industrial é complexo. Falamos de um microrganismo que cresce a um ritmo muito lento. Precisamos de esperar entre um e dois meses antes de essa micro bactéria ser tratada. E estamos a falar de uma vacina viva. Para que se torne realmente eficaz, temos de garantir quer a viabilidade e a estabilidade durante todo o processo de fabricação”“, afirma a farmacologista María Eugenia Puentes da Biofabri.

Não é em Vigo, mas em Lausana, na Suíça, que estão a ser realizados os primeiros ensaios clínicos da potencial vacina com voluntários reais.

Nesta primeira fase, médicos e investigadores querem avaliar a segurança da vacina… e ver quão eficaz pode ser na estimulação de algumas moléculas pensadas para proteger o corpo humano contra a doença.

“Seria bom se nesta primeira fase dos ensaios clínicos pudéssemos mostrar que as moléculas protetoras estão presentes nos corpos dos voluntários. Isso significaria que nos pacientes reais quem tivesse essas moléculas estaria mais bem protegido do que aqueles que não as têm. É o que vamos tentar verificar”, conclui François Spertini, imunologista, do Hospital Beaumont Hospital.

Caso seja validada cientificamente, a produção industrial da nova vacina pode começar daqui a dez anos.

www.tbvi.eu/projects/newtbvac