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Alemanha: Campanha por Merkel

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Alemanha: Campanha por Merkel

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Ursula von der Leyen é a ministra alemã do Trabalho e dos Assuntos Sociais. Considerada, no seio da CDU, como uma das principais rivais de Angela Merkel, é conhecida pelos seus pontos de vista progressistas em questões sociais, ela pretende a criação de quotas obrigatórias em cargos de chefia para as mulheres. Divergências à parte, desde o início da campanha para as eleições de setembro, passou a elogiar as conquistas do atual governo.

Kirsten Ripper, Euronews

É ministra do Trabalho e dos Assuntos Sociais, num país com uma taxa de desemprego tão baixa que, certamente, muitos na Europa invejam. A taxa de desemprego dos jovens é a mais baixa da União Europeia com menos de 8%. Diz aos jovens de países em crise para virem para a Alemanha?

Ursula von der Leyen, Ministra alemã do Trabalho e dos Assuntos Sociais

Recomendo que procurem ofertas de emprego na Europa. No Norte da Europa, na Alemanha, mas também na Áustria ou na Holanda que têm também emprego para oferecer. Há um milhão na Alemanha, 33 mil, na área da formação, não estão ocupadas neste momento. E se noutras partes da Europa os jovens estão à procura de emprego esta é a minha resposta. Mas não é a única, devemos também percorrer outras etapas no Sul da Europa, criar iniciativas de crescimento mas, usando a liberdade de circulação no mercado europeu, como uma mais-valia, que lutámos para conseguir, durante um longo período de tempo. Este deve ser oferecido aos jovens.

Euronews

O que diz aos críticos que afirmam que os jovens mais inteligentes estão a ser levados dos países em crise?

Ursula von der Leyen

Eu acho que numa situação em que 6 milhões de jovens procuram, desesperadamente, um emprego ou formação profissional na Europa, devemos ter respostas diferentes para lhes oferecer, uma perspetiva de futuro. E se há ofertas de emprego isso é bom, eles podem aumentar as suas capacidades. Um dia, retornarão aos seus países ou irão para outro lugar dentro da Europa. Eu prefiro que esses jovens consigam um emprego na Europa, de modo a que não abandonem o continente e vão para outro.

Euronews

Durante os últimos meses, foram publicados muitos artigos sobre a pobreza na Alemanha, mesmo entre as pessoas que trabalham. O que pensa sobre o aumento do salário mínimo e sobre a melhoria dos benefícios sociais?

Ursula von der Leyen

Em relação ao salário mínimo, temos 12 setores onde se aplica o salário mínimo e uma boa experiência com isso. Tradicionalmente, na Alemanha, o parceiro social: os sindicatos e os empregadores negoceiam os contratos de trabalho – há 65 mil em vigor na Alemanha. Eles têm o conhecimento sobre o equilíbrio certo para um salário mínimo, que garanta um trabalho justo, mas que não destrua o emprego.

Euronews

E os benefícios sociais?

Ursula von der Leyen

Na Alemanha, as pessoas que estão desempregadas, que precisam de ajuda, têm a garantia de um rendimento mínimo de subsistência. Mas o segundo passo importante é ter ofertas de emprego para elas, para que possam trabalhar e deixar de precisar do rendimento mínimo, ganhar sua própria vida, e isso é cada vez mais possível na Alemanha, graças à boa situação económica. O número de desempregados é, claramente, baixo. É por isso que não seria inteligente aumentar o rendimento mínimo, porque isso tiraria, às pessoas, a vontade de ganharem o seu próprio sustento no mercado de trabalho.

Euronews

Está muito empenhada nos direitos das mulheres, na Alemanha. Como vê o futuro de uma quota para as mulheres em cargos superiores?

Ursula von der Leyen

Este é o momento de dizermos que as mulheres não devem trabalhar apenas na base mas, também, em cargos de topo. Este é o significado de “quota para as mulheres”, em grandes empresas. Vemos que, na Alemanha, as médias empresas já têm 30% de mulheres em posições de liderança mas, em grandes empresas, há muito poucas mulheres nos conselhos de administração e na gestão de quadros. E é por isso que temos esta discussão na Alemanha para que a situação mude rapidamente. Acho que as empresas compreendem melhor quando definimos metas e um enquadramento especial. Acho que até 2020, 30% dos quadros de direção devem ser ocupados por mulheres. Sabemos, através de estudos, que as empresas têm melhores resultados quando homens e mulheres estão no topo – não porque as mulheres sejam melhores, mas porque elas reagem de forma diferente dos homens e têm uma visão mais ampla sobre os riscos e também sobre as possibilidades. A Alemanha deve conseguir atingir este objetivo.

Euronews

Uma questão pessoal, tem sete filhos e cuida do seu pai que tem Alzheimer como gere carreira e família?

Ursula von der Leyen

No início não tinha sete filhos, este foi um longo caminho na minha vida, com crianças pequenas. Primeiro como jovem médica passei pelas experiências que muitos casais jovens passam: a dificuldade em encontrar creches, organizar horários de trabalho flexíveis com os empregadores. Isso foi, para mim, o mais importante, no início. Depois, o segundo componente foi o meu marido, conseguir que ele, como pai tivesse o direito de passar tempo com eles, acho que as mães devem pedir pelo mesmo direito. Por isso, espero que um dia não sejam apenas as mulheres a serem convidadas a organizar o trabalho e a família, mas que os casais jovens, pais e mães, possam perceber a importância da grande tarefa, o melhor podemos fazer pela Europa: é dizer sim às crianças.

Euronews

E o problema da baixa taxa de natalidade alemã?

Ursula von der Leyen

Em comparação com outros países industrializados, vemos que naqueles onde os jovens têm um bom nível educacional – graças a Deus este é o caso da Alemanha – nascem mais crianças quando há uma espécie de reconciliação entre trabalho e família, quer dos pais quer das mães. É preciso coragem quando se pensa ter um segundo ou terceiro filho. A Alemanha é um país com uma longa tradição de distanciamento entre trabalho e família mas as mudanças dos últimos anos têm sido boas. Vemos também que a queda sucessiva da taxa de natalidade foi interrompida, mas é preciso um longo trabalho, particularmente, no campo da demografia para que aconteça uma reviravolta.

Euronews

Ao lado da chanceler é uma mulher forte, uma mulher com visão e firmeza. O jornalista Nikolaus Blome chamou Angela Merkel de “artista hesitante”. Seria uma melhor chanceler?

Ursula von der Leyen

De forma alguma, eu acho que cada geração tem o seu chanceler. A minha geração está, particularmente, bem representada: Angela Merkel é a chanceler deste país. E eu acho que se consegue ver tudo o que de bom ela trouxe a este país em tempos difíceis – a recente crise económica e, agora, a crise do euro, nós temos a sorte de ter na liderança alguém confiante e cujos princípios se baseiam na sustentabilidade política.

Euronews

Tem algum problema em fazer uma intensa campanha pela CDU?

Ursula von der Leyen

Pelo contrário. Este é o meu partido. Eu acho que existem posições pelas quais vale a pena lutar e faço disso um compromisso integral.

Euronews

Está a lutar pelo direito de adoção para casais do mesmo sexo?

Ursula von der Leyen

Temos um debate sobre isso, que certamente terá lugar no outono. Agora, há outras prioridades.