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A Grécia tem razões para confiar no futuro?

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A Grécia tem razões para confiar no futuro?

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Será que as reformas na Grécia estão a tirar o país de uma recessão que dura há seis anos? E em que ponto está a confiança dos investidores?

As coisas começaram a tremer em 2004, mas foi só cinco anos mais tarde que a Grécia reconheceu o buraco orçamental. As agências de notação assinalaram o sentido proibido. No início de 2010, foi implementado um programa para tentar consolidar as contas públicas. Perante a inflamação dos spreads, a troika interveio com 110 mil milhões de euros e com a exigência de reformas estruturais.

Veio então um segundo plano de resgate. Os particulares que detinham ações foram penalizados em 50%. O cancelamento de um referendo sobre as condições do resgate adensou a instabilidade política, com o primeiro-ministro Georgios Papandreou a apresentar a demissão.

Em 2012, a Grécia estabeleceu um acordo de reestruturação da dívida com a ajuda de credores privados. Antonis Samaras passou a liderar uma coligação governamental que passou a dispor de mais dois anos para efetuar o ajustamento orçamental.

As reformas administrativas previstas para este ano estipulam a extinção de 4 mil postos de trabalho, meta para a qual contribui largamente o encerramento da estação pública de radiotelevisão, episódio que levou um dos partidos da coligação a abandonar o executivo. Mas a Grécia viu desbloqueada mais uma tranche de ajuda, no valor de quase 7 mil milhões de euros.

A União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu exigem reformas num país que vive o seu sexto ano de recessão e onde o PIB cai continuamente. Tem sido muito difícil mudar as coisas quando o desemprego aumenta e o acesso aos cuidados de saúde, por exemplo, se tornou quase num privilégio.

Acelerar as reformas, mas com tempo. É uma equação difícil de resolver. E, no entanto, é exatamente isso que os credores pretendem. Entre o ajustamento orçamental e as reformas estruturais, há um longo caminho a percorrer. Quer o governo, quer a chamada task force, preveem que, até ao final do ano, o equilíbrio das contas públicas possa começar a ser uma realidade. Mesmo assim, estima-se que seja necessária uma nova ajuda em 2014.

Se antes assistíamos a procuras substanciais de grupos, como o chinês Cosco, agora a venda de títulos gregos, por exemplo, dificilmente encontra compradores. A burocracia em torno dos investimentos continua a ser um dos grandes entraves. Outro é a falta de produtos inovadores que estimulem a competitividade e ajudem a ultrapassar a recessão.