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Exosqueletos dão esperança aos paraplégicos

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Exosqueletos dão esperança aos paraplégicos

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Marius Ciustea ficou paraplégico há pouco tempo, num acidente de esqui, mas agora o jovem diz ter uma razão para voltar a sorrir: “Estou feliz, porque posso voltar a pôr-me de pé. Posso andar outra vez, mover-me um pouco. Espero voltar a ter alguma sensibilidade e força nas duas pernas”.

O exosqueleto que pode ajudar Marius e outros paraplégicos está a ser desenvolvido e testado por cientistas de um projeto de investigação da União Europeia. Fisioterapeutas e neurologistas realçam as vantagens.

“Com as técnicas de reabilitação convencionais, estes pacientes não conseguiriam caminhar entre estas barras sem qualquer tipo de ajuda. Seria totalmente impossível para eles voltarem a ter a sensação de andar. Este exosqueleto permite-lhes isso de uma maneira dinâmica, natural e fisiológica. O exosqueleto permite aos pacientes moverem as ancas e estes são movimentos-chave em todas as técnicas de reabilitação convencionais”, explica a fisioterapeuta Federica Tamburella do hospital Fondazione Santa Lucia, em Roma.

“Voltar a andar é fundamental para estes pacientes de um ponto de vista psicológico. Para eles faz uma diferença enorme – ainda que por apenas um momento – pararem de mover-se numa cadeira de rodas, à altura de uma criança, e poderem olhar ao mesmo nível para outros adultos”, realça Marco Molinari, neurologista no mesmo hospital.

Mas os investigadores sonham ir mais longe. Querem ajudar os paraplégicos a voltar a andar, controlando sozinhos os exosqueletos… com o cérebro.

“Idealmente, gostaríamos de desenvolver um sistema capaz de controlar o exosqueleto, capturando apenas os sinais provenientes do córtex cerebral. Ainda não conseguimos isso, por um número de razões. Primeiro, temos a barreira do crânio. O crânio fica entre os sinais do cérebro e os instrumentos desenvolvidos para medi-los. Isso significa que, frequentemente, os sinais que obtemos não são nítidos, não o suficiente para serem explorados. Então, temos a dificuldade de lidar com as vibrações criadas pelo próprio esqueleto. Este barulho constante prejudica a qualidade dos sinais cerebrais que obtemos e torna difícil explorá-los”, diz Michel Ilzkovitz, coordenador do projeto Mindwalker.

Para ultrapassar essas dificuldades, os investigadores estão à procura de atalhos para o cérebro. Um deles são os olhos. Estão a trabalhar para ajudar a retina a estimular o cérebro, de forma a identificar e isolar os sinais cerebrais que são mais eficazes para controlar potencialmente os exosqueletos.

“Nós sabemos que os sinais que estamos a enviar para o olho chegam à retina num determinado comprimento de onda. O cérebro vai depois corresponder a esse comprimento de onda, para poder ler esses sinais que enviamos. Enquanto nós, investigadores e neurocientistas, conhecermos estes comprimentos de onda, podemos, eventualmente, ser capazes de filtrá-los de todos os sinais provenientes do cérebro, e manter apenas essas ondas com esse comprimento específico. E essas são as ondas cerebrais que podem eventualmente ser capazes de controlar o exosqueleto”, afirma Guy Cheron, neurofisiologista da Universidade Livre de Bruxelas.

Uma investigação complexa que pode vir, segundo Michel Ilzkovitz, a fornecer algumas soluções razoáveis aos paraplégicos a curto ou médio prazo: “Prevemos um eventual marketing de um sistema como este dentro de, no mínimo, 3 a 5 anos. Mas antes disso, temos de tornar todo o sistema mais forte, mais fácil de ser usado, e também a produção mais barata”.