Espionagem: NSA monitoriza interesses pornográficos de "radicais" islâmicos

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De  Euronews
Espionagem: NSA monitoriza interesses pornográficos de "radicais" islâmicos

<p>A Agência de Segurança Nacional (<span class="caps">NSA</span>) dos Estados Unidos da América tem espionado as visitas a sítios na internet com conteúdos pornográfico de muçulmanos que consideram “suspeitos” de contribuírem para a radicalização de outros cidadãos. De acordo com um documento divulgado pelo portal <a href="http://www.huffingtonpost.com/2013/11/26/nsa-porn-muslims_n_4346128.html?ir=Politics" rel="external">"The Huffington Post"</a>, esta quarta-feira (27), o objetivo da <span class="caps">NSA</span> é pôr em causa a credibilidade destes “radicais”, como lhes chamam.</p> <p>Esta revelação foi feita a partir de documentos obtidos pelo antigo analista informático norte-americano, <a href="http://pt.euronews.com/2013/06/10/edward-snowden-o-garganta-funda-do-esquema-orwelliano-de-espionagem-da-nsa/">Edward Snowden</a>, que atualmente se encontra exilado na Rússia. A estratégia de descobrir e expor aspetos da vida privada de personalidades públicas não é recente, mas este documento prova que qualquer cidadão pode ser um potencial alvo de investigação.</p> <p>De acordo com o “The Huffington Post”, pelo menos seis pessoas, todas muçulmanas, foram alvo de vigilância por parte da <span class="caps">NSA</span>, apesar de nenhuma ser considerada terrorista. Os visados são pessoas que escreveram nas redes sociais ou partilharam vídeos no YouTube, com conteúdos que a agência norte-americana considerou que podem influenciar outros a assumir atitudes mais “radicais”.</p> <p>O portal não revela os nomes das pessoas investigadas mas adianta, com base no relatório da <span class="caps">NSA</span> datado de 3 de outubro de 2012, que um deles é um académico que “promove a propaganda da Al-Qaida”. Este defendeu, na internet, que a “‘jihad’ ofensiva é justificável”. A <span class="caps">NSA</span> considera-o culpado de “promiscuidade em linha”.</p> <p>Para a Agência de Segurança Nacional a monitorização é justificada pois pode, assim, acabar com o poder dissuasor destes “radicais”, por meio da destruição da imagem pública.</p> <p>A <span class="caps">NSA</span> considera a estratégica “legítima e louvável”. Em resposta ao artigo do “The Huffington Post”, o diretor de comunicação da agência, Shawn Turner, considera que “não deveria ser surpresa que o governo dos <span class="caps">EUA</span> utilize todas as armas legais, de que dispõe, para travar as intenções de terroristas que tentem causar danos à nação.”</p> <p>Para a União Americana das Liberdades Cívicas a questão não é assim tão clara. O subdiretor jurídico, Jameel Jaffer, questiona qual é o critério utilizado pela Agência de Segurança Nacional para considerar alguém “radical” e sublinha que “a agência está a recolher uma grande quantidade de informação sensível sobre, praticamente, todas as pessoas.”</p> <p>Esta não é a primeira vez que a Casa Branca manda espionar pessoas com o intuito de descobrir “falhas” que possam ser usadas para as descredibilizar. A União Americana das Liberdades Cívicas recorda a operação Cointelpro, do <span class="caps">FBI</span> nos anos 60, e o “Projeto Minarete”, da <span class="caps">NSA</span> da década de 70. Jaffer refere que o passado mostra que um “presidente acaba sempre por pedir à <span class="caps">NSA</span> que recorra à vigilância para desacreditar opositores políticos, jornalistas ou, mesmo, ativistas dos direitos humanos.”</p>