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Rússia e UE continuam a medir forças na "luta" pela Ucrânia

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Rússia e UE continuam a medir forças na "luta" pela Ucrânia

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Rússia e União Europeia (UE) continuam a acusar-se mutumente de pressão sobre a Ucrânia, mas na cimeira que decorreu, esta terça-feira, em Bruxelas, prometeram intensificar o diálogo sobre o impacto na região da Parceria de Leste.

Uma estratégia europeia de cooperação económica com ex-repúblicas soviéticas, que foi recusada subitamente pela Ucrânia, depois de anos de negociações, e que lançou o país numa crise política interna.

Alegadamente o recuo do Presidente Viktor Ianukovitch deveu-se a prssões do homólogo russo, já que Vladimir Putin quer manter a influência geopolítica e económica na região.

A Rússia nega tais pressões e acusa a UE de não aceitar a soberania do governo atual de Kiev. As relações bilaterais entre Bruxelas e Moscovo esfriaram e a crise na Ucrânia é agora uma prova de fogo.

UE querem enviar uma mensagem a Putin de que estão descontentes com a atuação russa na Europa de Leste.

Para analisar com maior detalhe esta questão, o correspondente da euronews em Bruxelas, Andrei Beketov, entrevistou Rosa Balfour, investigadora no Centro de Política Europeia.

Andrei Beketov/euronews (AB/euronews): “O que pensa do formato pouco habitual desta cimeira UE-Rússia e o que é que significa em termos da relação entre as duas partes?”

Rosa Balfour/Centro de Política Europeia (RB/CPE): “A relação não é muito boa neste momento. Em primeiro lugar, devemos recordar que a cimeira devia ter acontecido em dezembro mas, por causa dos acontecimentos na Ucrânia, foi adiada. E em segundo lugar, foi encurtado de um dia e meio para uma hora e meia durante um almoço. Os líderes da UE querem enviar uma mensagem a Putin de que estão descontentes com a atuação russa na Europa de Leste”.

AB/euronews: “O que podem fazer para acalmar a atual situação na Ucrânia? Podem cooperar ou a Rússia e a UE estão em competição pela influência sobre a Ucrânia?”

RB/CPE: “Tanto a UE como a Rússia dizem que querem cooperar e construir uma região de livre comércio que vai de Lisboa a Vladivostok. Mas na prática, as ações evidenciam que há uma competição. Tanto a UE como a Rússia podem desempenhar um papel positivo no sentido de persuadirem as partes para dialogarem e negociarem uma solução para a atual crise na Ucrânia, mas tem que haver boa vontade da parte de todos”.

AB/euronews: “Mas não pensará o Presidente Putin que já ganhou o jogo, porque comprou a Ucrânia, oferecendo a verba com a qual a UE não se quis comprometer e que ascende a 15 mil milhões de dólares?”

RB/CPE: “A Rússia tem uma economia muito dependente de fontes de energia e todos os sinais indicam que a longo prazo será insustentável. O presidente ucraniano já está a pensar nas eleições de 2015 e por isso aceitou este dinheiro oferecido, a curto prazo, por Moscovo. Mas não sabemos se esta oferta se vai manter dentro de um ou dois anos”.

AB/euronews: “Há um potencial de modernização que depende de uma melhor relação entre UE e Rússia. Será que depois de ultrapassada esta crise, esse potencial será explorado?”

RB/CPE: “Existe uma parceria para a modernização que não teve muitos progressos. Penso que antes existia na Europa um campo pró-Rússia mais forte, mas que agora está a enfraquecer. Em parte como consequência da atuação de Putin na Europa de Leste, para sermos honestos, mas também porque alguns dos países mais neutros estão a ficar um pouco fartos de certas atitudes vindas de Moscovo. Suspeito que os líderes da UE vão querer ver alguma mudança por parte da Rússia antes de oferecerem incentivos tais como a liberalização dos vistos”.

RB/CPE: “Neste momento o Presidente Putin está muito empenhado em ter a presença dos líderes da UE e de outros dignitários estrangeiros em Sochi, para os Jogos Olímpicos…”

RB/CPE: “Um ou dois líderes disseram que não estarão presentes porque não gostam do que está a acontecer na Rússia, mas alguns estarão presentes e esta cimeira não foi cancelada. São sinais de que, para a UE, as relações com a Rússia devem manter-se. Portanto, não será passada nenhuma mensagem de retaliação nesta cimeira, mas antes sinais de desagrado. Essa é basicamente a mensagem da UE e penso que o mesmo se passará em Sochi.”