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Mundial 2014: Merkel aplaude tragédia alemã de Portugal no Brasil

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Mundial 2014: Merkel aplaude tragédia alemã de Portugal no Brasil

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A Alemanha cilindrou Portugal, esta segunda-feira, goleando por 4-0, na estreia de ambas as equipas no Mundial do Brasil. Ronaldo foi uma sombra do jogador eleito em janeiro como o melhor do Mundo e apenas deu um ar de sua graça já nos descontos. A defesa foi o calcanhar de aquiles da equipa de Paulo Bento, que apostou em Miguel Veloso no meio campo em detrimento de William Carvalho e pode ter começado por aí a perder para o futebol mais físico dos germânicos. Pepe foi expulso ainda na primeira parte com um vermelho direto, Patrício e Bruno Alves cometeram demasiados erros e muito coisa vai ter de mudar na Equipa das Quinas. O alemão Thomas Müller assinou o primeiro “hat-trick” do Mundial e a chanceler Angela Merkel foi ao balneário, no final, enaltecer a equipa alemã.

Portugal até nem entrou muito mal na partida, mas logo aos 8’ uma falha de Rui Patrício deu o sinal de alarme para o que os “conquistadores” – em especial a defesa – iriam ter pela frente e por culpa própria. Ronaldo ainda teve um remate à figura de Neuer, mas o descalabro começou a desenhar-se aos 11’. João Pereira teve tudo para cortar um ataque alemão dentro da área, falhou a bola e acabou por derrubar Mario Götze. Penálti claro, que Thomas Müller converteu. Rui Patrício adivinhou o lado, mas nada podia fazer.

A reação de Portugal foi fraca. A Alemanha controlava e jogava mais descontraída. Aos 25’, Nani arrisca um remate de trivela e fica perto do empate. Podia ser o sinal da reanimação lusa, mas não. Aos 27’, Hugo Almeida saiu lesionado, entrou Éder. Quase de pronto, Götze fica perto do 2-0, valeu desta feita o oportuno corte de João Pereira. Na marcação do canto, porém, Hummels salta entre Pepe e Bruno Alves, bate os dois centrais e cabeceia forte para o segundo golo alemão. Ronaldo desespera.

Aos 36’, Coentrão, em excelente posição, embora deixando a dúvida de estar fora de jogo, preferiu o passe a um remate, perdendo uma boa assistência de Moutinho. No canto consequente, Éder cabeceou por cima. Um minuto volvido, Pepe envolve-se numa discussão completamente desnecessária com Müller e vê o cartão vermelho direto. Portugal precisava desesperadamente do intervalo, que não chegaria sem mais uma oferta com chancela de Bruno Alves. Müller aproveitou e fez o 3-0. Paulo Bento tapava os olhos. Tinha razão.

Esperava-se uma reação de Portugal logo à entrada na segunda parte, mas nada. Faltava meio-campo, faltava intensidade, faltava Ronaldo. Enfim, faltava sobretudo coletivo. Com menos um, a equipa estava partida e a defesa, agora liderada por Bruno Alves e com Ricardo Costa no lugar do “invísível” Miguel Veloso, continuava a meter água. Os alemães – com Özil bem encostado à direita – controlavam, trocavam a bola, faziam os portugueses correr e suar. Moutinho teve de se desdobrar no meio campo, Meireles mal se via, Nani era o mais inconformado, o melhor, mas nem por isso bem. Ronaldo parecia estranhamente conformado e apenas em alguns livres chamou a atenção, embora só aos 91 minutos tenha aquecido as mãos a Neuer.

Pelo meio, Thomas Müller teve ainda oportunidade para se destacar como o melhor marcador do Mundial à condição nesta primeira ronda. Num lance em que Rui Patrício, por duas vezes, mas também de novo Bruno Alves (onde estava?) ficam muito mal na fotografia, o avançado do Bayern aproveitou uma «assistência» do guarda-redes português na pequena área e assinou, aos 78’, o terceiro golo na prova. Nesta altura, já André Almeida estava em campo, por troca com Fábio Coentrão, lesionado. Também a Alemanha já estava privada de Hummels, igualmente por lesão. Hugo Almeida e Coentrão vão ter de parar pelo menos 10 dias e falham os dois próximos jogos da Seleção.

Com os três pontos entregues em Salvador, a tragédia alemã confirmada para Portugal e Angela Merkel – vestida curiosamente com as cores de Portugal – a aplaudir na bancada, Ronaldo teve finalmente o seu momento aos 91 minutos. Livre directo ainda bem longe da baliza, os germânicos quase nem fizeram barreira e o capitão português, que esta tarde esteve bem longe de ser o melhor do Mundo, disparou um «míssil CR7», que Manuel Neuer defendeu com classe para canto. O apito final terminou com o pesadelo. A Alemanha voltou a ganhar Portugal, desta vez cilindrando por quatro golos sem resposta, é líder do grupo G e deixa a Equipa das Quinas obrigado a jogar – outra vez – duas «finais» logo nesta primeira fase do Mundial do Brasil. Foi muito, muito mau para os comandados de Paulo Bento.

Equipas


Portugal: Rui Patrício; J. Pereira, Pepe (V, 37’), Bruno Alves e F. Coentrão (A. Almeida, 65’); M. Veloso (R. Costa, 45’); J. Moutinho e Raúl Meireles; Nani, H. Almeida (Éder, 28’) e Cristiano Ronaldo.
Alemanha: M. Neuer; Boateng, Mertesacker, Hummels (Mustafi, 73’) e Höwedes; P. Lahm e Khedira; Ozil, Kroos e Özil (Schürrle, 63’); Müller (Podolski, 82’)

Reações


Paulo Bento: “A análise acaba na primeira parte. Da segunda há pouco a dizer. Foi gerir a inferioridade numérica e uma desvantagem muito pesada no marcador.Houve dois lances que me pareceram muitom tendenciosos (da arbitragem) e, na dúvida, poderão ter caído mais para o lado da alemanha. Nós cometemos erros que acabámos por pagar caro. A diferença para a eficácia da Alemanha foi tremenda.”

Joachim Löw: “Foi uma excelente partida. A equipa mostrou o espírito que esperávamos, dominámos o meio campo na primeira parte, com lançamentos rápidos para os avançados, Fomos precisos na finalização, marcámos quatro em seis oportunidades e não deixámos Portugal criar muitas chances. Tinhamos a ideia de parar ronaldo assim que recebesse a bola e Boateng fez isso muito bem.”