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Referendo na Escócia: Nacionalistas flamengos da Bélgica apoiam independência escocesa

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Referendo na Escócia: Nacionalistas flamengos da Bélgica apoiam independência escocesa

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A caminho da Escócia, para dar todo o apoio aos que querem a independência, segue o belga flamengo Günther Dauwen, da organização European Free Alliance. Na bagagem leva a esperança de que o Sim vença e que o exemplo seja seguido noutras regiões do continente onde os movimentos separatistas estão a crescer.
Günther Dauwen defende que “o direito de escolha é um princípio universal da lei e os escoceses vão exercer esse direito. Esperamos, sinceramente que os catalães possam exercer o mesmo direito em breve. Independentemente do resultado, o direito de escolha tem de prevalecer.”

Para os escoceses, catalães e para os próprios flamengos. O debate na Bélgica é centrado, sobretudo, nas questões económicas: entre a rica região da Flandres e empobrecida região da Valónia. 58% dos 11 milhões de belgas é flamengo; 32% valão. Entre os flamengos há quem conteste a contribuição, considerada injusta, para a economia do país.

Muito perto de Bruxelas, na pequena cidade de Steenokkerzeel, o autarca Kurt Ryon pertente ao partido nacionalista flamengo e é tão a favor da independência da Escócia que decorou todo o gabinete com propaganda ao SIM e está preparado para festejar. Kurt Ryon garante que “estamos a fazer um grande caminho, o caminho da vitória. Mas estamos apenas no início. Queremos construir uma Flandres livre. Aprendemos muito com os escoceses e podemos seguir o exemplo quando fizermos o nosso referendo.”

Mas nas ruas da região as opiniões não são exatamente as mesmas e é mesmo difícil encontrar que defenda uma Flandres independente.
Uma flamenga entrevistada pela euronews afirmou mesmo que defende “a Bélgica, não a Flandres ou a Valónia. Quero as duas regiões juntas. Quero a Bélgica, gosto da Bélgica.” Uma outra cidadã da região lembrou que “a Escócia já era um país. A Flandres e a Valónia não. A Flandres até pertencia à Holanda. É um exemplo diferente que não abre um precedente para nós.”
Mas também há quem afirme que “como é “flamenga, deve dizer sim à independência escocesa.”

Para perceber melhor esta questão belga, a euronews entrevistou Dave Sinardet, professor de Ciência Política da Universidade Livre de Bruxelas.

Efi Koutsokosta, euronews:
“O que têm em comum o caso escocês e o caso flamengo?”

Dave Sinardet, professor de Ciência Política da ULB:
“Tal como na Escócia, no Quebeque ou na Catalunha, na Flandres existe um forte movimento nacionalista flamengo e o forte partido nacionalista flamengo. É o maior da Bélgica, depois das recentes eleições. Apoia oficialmente a independência, mas quer, pelo menos, mais autonomia para a comunidade flamenga da Bélgica. Não acredito que os nacionalistas da Flandres vão pedir um referendo. Acredito que já perceberam que o apoio à independência, mesmo na Frandres é pequeno, ainda que a separação esteja nos seus estatutos. Agora falam mais de confederalismo. Mas se olharmos para bem para a definição de confederalismo, podemos dizer que será uma espécie de independência da Flandres, mas sem lhe dar esse nome, uma vez que deixaria de existir uma constituição belga e passaria a existir algo parecido com um tratado entre a Flandres e a Valónia”.

Efi Koutsokosta, euronews:
“Encontra alguma explicação para o facto de se estarem a tornar cada vez mais populares na Europa os movimentos separatistas?”

Dave Sinardet, professor de Ciência Política da ULB:
“Acredito que tanto os nacionalistas escoceses como os nacionalistas flamengos conseguiram convencer as pessoas, não apenas aquelas que se interessam pelos nacionalismos, aqueles que acreditam que a identidade nacional e a cultura são importantes. Conseguiram também intrometer-se nos debates entre a esquerda e a direita.
Conseguiram colmatar algumas das frustrações que existem entre os eleitores da esquerda na Escócia, dentro do Reino Unido dominado pela política de direita….e dos eleitores de direita na Flandres, numa Bélgica dominada pela esquerda.
Mas acredito que hoje, num mundo globalizado e no contexto europeu, a soberania nacional tornou-se mais importante que há algumas décadas.”

Efi Koutsokosta, euronews:
“Se o sim ganhar na Escócia, qual será o impacto na região e na Europa como um todo?”

Dave Sinardet, professor de Ciência Política da ULB:
“Pode abrir-se um precedente. Fica provado que, de facto, é possível que uma região se separe do Estado a que pertence. É um precedente interessante para os movimentos nacionalistas, em primeiro lugar para a Catalunha, a região quer realizar um referendo que tem sido rejeitado pelo governo espanhol. Mas também para os nacionalistas flamengos, nem que seja a longo prazo uma vez que prova que independência não é apenas um sonho, irrealista. É verdadeiramente possível.
Pode criar também um problema para a União Europeia porque já é difícil chegar a um consenso entre os 28, com todos a defender os seus interesses nacionais. Se houver um alargamento, chegar a um consenso será ainda mais difícil.”