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Violência contra as mulheres é um fenómeno global

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Violência contra as mulheres é um fenómeno global

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A Violência contra as mulheres é um fenómeno global, esquecido, ignorado ou aceite.

No Quénia, através da iniciativa “my dress, my choice”, dezenas de pessoas denunciam a agressão contra mulheres que vestem minissaias. Uma dessas mulheres foi, violentamente, atacada por um grupo de homens que lhe arrancou as roupas. A 23 de novembro aconteceu o mesmo a uma jovem num autocarro, em Nairobi.

Os agressores, neste tipo de casos, são libertados depois de pagarem uma multa de menos de 1 Euro. Os defensores dos direitos humanos denunciam a falta de ação da justiça:

“As mulheres têm sido sujeitas a níveis de violência elevados nos últimos tempos. Falo também de agressões sexuais. Há violações e não tem apenas a ver com a forma de vestir porque há mulheres de 80 anos e crianças de sete a serem violadas”, explica Cecilia Brenda Onyango, uma ativista.

Um estudo, publicado por The Lancet, refere que a magnitude do problema é epidémica, planetária. Uma violência cada vez mais escondida.

No mundo entre cem e cento e quarenta milhões de mulheres sofreram uma mutilação genital. Segundo a Unicef, trinta milhões de meninas em África e no Médio Oriente estão em risco de sofrer este tipo de mutilação, todos os anos.

Sete por cento das mulheres correm o risco de ser violadas. Trinta por cento das mulheres são vítimas de violência por parte do seu parceiro.

Ruqayya Parveen faz parte dos milhões de mulheres vítimas de violência conjugal. Enquanto dormia com os filhos, o marido, alcoolizado deitou-lhe ácido para cima. Perdeu a visão num olho e a orelha esquerda, um dos seus filhos ficou queimado nas costas. Dezoito meses depois continua a não conseguir dormir por causa da dor. Não pode trabalhar e sente-se esquecida, abandonada:

“Fui vítima de um ataque com ácido. Amanhã alguém vai sofrer o mesmo destino porque a lei não funciona para as pessoas pobres, como nós. A lei é só para os ricos. As pessoas pobres como eu, não têm esperança de conseguir justiça. Quando faço as minhas orações lanço maldições ao meu marido, do fundo do meu coração.”

Ainda que estas situações não aconteçam apenas no terceiro mundo muitos têm sido os casos, ocorridos nestas regiões, que acabam falados. Como o assassinato da Miss Honduras, e da irmã, depois de um ataque de ciúmes do noivo desta última. Situações recorrentes em muitos países.