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Fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba nas mãos dos Republicanos

Raul Castro e Barack Obama, respetivamente Presidentes de Cuba e Estados Unidos, deram esta quinta-feira um importante passo para a normalização das

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Fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba nas mãos dos Republicanos

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Raul Castro e Barack Obama, respetivamente Presidentes de Cuba e Estados Unidos, deram esta quinta-feira um importante passo para a normalização das relações diplomáticas entre os dois governos e para pôr um fim ao embargo americano a Cuba. Mas só isso pode não chegar para concretizar o fim do bloqueio que dura já há mais de 50 anos.

O embargo americano a Cuba começou oficialmente em fevereiro de 1962 e em agosto desse mesmo ano passou a lei. Várias adendas foram sendo acrescentadas ao longo dos anos, apertando o laço comercial, económico e financeiro ao território controlado pelo regime comunista dos irmãos Castro.

Em 1996, com uma nova lei, a Helms-Burton (assim batizada devido aos senadores republicanos que a “desenharam”), o embargo a Cuba foi internacionalizado e colocava sob ameaça as empresas com interesses nos Estados Unidos que insistissem em negociar com Cuba.

Por estar “acorrentado” à lei americana, o fim do embargo terá de ser debatido e votado no congresso para que essas leis sejam revogadas. O que não se afigura fácil. A partir de janeiro ambas as câmaras do congresso americano passam a ser controladas pelos Republicanos, por oposição aos Democratas que controlam a Casa Branca.

Adivinha-se uma disputa acesa e ainda mais quando para 2016 estão marcadas as próximas presidenciais dos Estados Unidos, para as quais Obama, a cumprir o segundo mandato, já não será, por isso, elegível. Nessas eleições, a vasta comunidade latina nos Estados Unidos, e a cubana em particular, poderão ser decisivas e este é um importante legado colocado sobre a mesa do Congresso pela atual administração Obama.

Alguns congressistas democratas e republicanos, favoráveis ao isolamento de Cuba, já criticaram a decisão do Presidente americano. É o caso, por exemplo, do senador da Florida, o republicano de origem cubana Marco Rubio, reconhecido opositor ao regime dos irmãos Castro e, a partir de janeiro, responsável pela subcomissão dos Negócios Estrangeiros que vai entrevistar e confirmar o próximo embaixador norte-americano em Cuba – uma escolha delicada, já admitiu Rubio.

“Este Congresso não levantará o embargo. Utilizarei todas as ferramentas ao meu alcance para combater os mais possível as mudanças anunciadas”, ameaçou o senador da Florida. O presidente da Câmara dos Representantes, o também republicano John Boehner, lamentou “uma longa série de concessões irrefletidas a uma ditadura que brutaliza o seu povo e conspira com os inimigos dos Estados Unidos.”

Algumas medidas de aproximação entre os dois países vão, entretanto, ser já implementadas como a abertura de embaixadas de ambos os países nos territórios um do outro, a permissão para instituições bancárias americanas abrir sucursais em Cuba e a abertura de fronteiras para que os cubanos já residentes nos Estados Unidos possam visitar o país natal e vice-versa. Mas, como sublinhou Raul Castro, “fica a faltar o mais importante”.

“O bloqueio económico, comercial e financeiro, que causa enormes prejuízos humanos e económicos ao nosso país, tem de acabar. Temos de aprender a arte de coexistir de forma civilizada com as nossas diferenças”, alertou o irmão de Fidel Castro e atual Presidente de Cuba.

Ao mesmo tempo que falava Raul Castro, também Obama começou a discursar em Washington. Uma frase em espanhol sobressaiu na comunicação de Obama: “Todos somos americanos”. O Presidente americano assume em mãos a mudança da história: “Hoje, a América escolhe libertar-se das amarras do passado para poder almejar um melhor futuro tanto para o povo o cubano como para os próprios americanos.”

O dia histórico para Cuba começou com a libertação em Havana do norte-americano Alan Gross, de 65 anos, detido em dezembro de 2009 sob acusação de espionagem ao tentar instalar, de forma ilegal e sob orientação da Agência Americana de Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla inglesa), uma rede de internet para servir uma comunidade judaica no território da ilha controlado pelo regime de Raul Castro. A liberdade de Gross foi conseguida à troca da de três cubanos detidos há mais de 10 anos pelos Estados Unidos também sob acusação de espionagem e que pertenceriam ao apelidado grupo “Los Cinco de Cuba.”

Três parlamentares americanos deslocaram-se à capital cubana num avião governamental, onde também seguiu a mulher de Alan Gross. Envelhecido e sem alguns dentes, que espera substituir em breve, o norte-americano regressou a “casa” e aterrou em Washington ao mesmo tempo de um outro avião que transportava de regresso à capital americana o secretário de Estado, John Kerry.

Gross e Kerry abraçaram-se e foi, lado-a-lado, sentados num sofá, que assistiram em direto à comunicação histórica de Barack Obama.