Fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba nas mãos dos Republicanos

Access to the comments Comentários
De  Euronews
Fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba nas mãos dos Republicanos

<p>Raul Castro e Barack Obama, respetivamente Presidentes de Cuba e Estados Unidos, deram esta quinta-feira um importante passo para a normalização das relações diplomáticas entre os dois governos e para pôr um fim ao embargo americano a Cuba. Mas só isso pode não chegar para concretizar o fim do bloqueio que dura já há mais de 50 anos.</p> <p>O embargo americano a Cuba começou oficialmente em fevereiro de 1962 e em agosto desse mesmo ano passou a lei. Várias adendas foram sendo acrescentadas ao longo dos anos, apertando o laço comercial, económico e financeiro ao território controlado pelo regime comunista dos irmãos Castro. </p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="pt"><p>"50 years have shown that isolation hasn’t worked. It’s time for a new approach." —President Obama <a href="https://twitter.com/hashtag/CubaPolicy?src=hash">#CubaPolicy</a> <a href="http://t.co/Qrzp5zODZk">http://t.co/Qrzp5zODZk</a></p>— The White House (@WhiteHouse) <a href="https://twitter.com/WhiteHouse/status/545318836832960512">17 dezembro 2014</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Em 1996, com uma nova lei, a Helms-Burton (assim batizada devido aos senadores republicanos que a “desenharam”), o embargo a Cuba foi internacionalizado e colocava sob ameaça as empresas com interesses nos Estados Unidos que insistissem em negociar com Cuba.</p> <p>Por estar “acorrentado” à lei americana, o fim do embargo terá de ser debatido e votado no congresso para que essas leis sejam revogadas. O que não se afigura fácil. A partir de janeiro ambas as câmaras do congresso americano passam a ser controladas pelos Republicanos, por oposição aos Democratas que controlam a Casa Branca. </p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="pt"><p>First Russia, then Iran, now Cuba: One more very bad deal brokered by the Obama Administration <a href="http://t.co/XYYpeq0yxA">http://t.co/XYYpeq0yxA</a> <a href="http://t.co/XCe1A6wqax">pic.twitter.com/XCe1A6wqax</a></p>— Senator Ted Cruz (@SenTedCruz) <a href="https://twitter.com/SenTedCruz/status/545333107059339264">17 dezembro 2014</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Adivinha-se uma disputa acesa e ainda mais quando para 2016 estão marcadas as próximas presidenciais dos Estados Unidos, para as quais Obama, a cumprir o segundo mandato, já não será, por isso, elegível. Nessas eleições, a vasta comunidade latina nos Estados Unidos, e a cubana em particular, poderão ser decisivas e este é um importante legado colocado sobre a mesa do Congresso pela atual administração Obama. </p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="pt"><p>I support President Obama’s decision for the United States to start a new chapter in our relationship with Cuba.</p>— Senator Harry Reid (@SenatorReid) <a href="https://twitter.com/SenatorReid/status/545278801660633088">17 dezembro 2014</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Alguns congressistas democratas e republicanos, favoráveis ao isolamento de Cuba, já criticaram a decisão do Presidente americano. É o caso, por exemplo, do senador da Florida, o republicano de origem cubana Marco Rubio, reconhecido opositor ao regime dos irmãos Castro e, a partir de janeiro, responsável pela subcomissão dos Negócios Estrangeiros que vai entrevistar e confirmar o próximo embaixador norte-americano em Cuba – uma escolha delicada, já admitiu Rubio.</p> <p>“Este Congresso não levantará o embargo. Utilizarei todas as ferramentas ao meu alcance para combater os mais possível as mudanças anunciadas”, ameaçou o senador da Florida. O presidente da Câmara dos Representantes, o também republicano John Boehner, lamentou “uma longa série de concessões irrefletidas a uma ditadura que brutaliza o seu povo e conspira com os inimigos dos Estados Unidos.”</p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="pt"><p>Relations with the Castro regime should not be revisited, let alone normalized, until the Cuban people enjoy freedom – & not 1 second sooner</p>— Speaker John Boehner (@SpeakerBoehner) <a href="https://twitter.com/SpeakerBoehner/status/545280744499986432">17 dezembro 2014</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Algumas medidas de aproximação entre os dois países vão, entretanto, ser já implementadas como a abertura de embaixadas de ambos os países nos territórios um do outro, a permissão para instituições bancárias americanas abrir sucursais em Cuba e a abertura de fronteiras para que os cubanos já residentes nos Estados Unidos possam visitar o país natal e vice-versa. Mas, como sublinhou Raul Castro, “fica a faltar o mais importante”. </p> <p>“O bloqueio económico, comercial e financeiro, que causa enormes prejuízos humanos e económicos ao nosso país, tem de acabar. Temos de aprender a arte de coexistir de forma civilizada com as nossas diferenças”, alertou o irmão de Fidel Castro e atual Presidente de Cuba.</p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="pt"><p>.<a href="https://twitter.com/BarackObama"><code>BarackObama</a> on normalising <a href="https://twitter.com/hashtag/USCuba?src=hash">#USCuba</a> relations. <a href="http://t.co/Rve1Lp0EXf">http://t.co/Rve1Lp0EXf</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/Cuba?src=hash">#Cuba</a> <a href="http://t.co/8D8riy2tCa">pic.twitter.com/8D8riy2tCa</a></p>&mdash; euronews (</code>euronews) <a href="https://twitter.com/euronews/status/545267488741937152">17 dezembro 2014</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Ao mesmo tempo que falava Raul Castro, também Obama começou a discursar em Washington. Uma frase em espanhol sobressaiu na comunicação de Obama: “Todos somos americanos”. O Presidente americano assume em mãos a mudança da história: “Hoje, a América escolhe libertar-se das amarras do passado para poder almejar um melhor futuro tanto para o povo o cubano como para os próprios americanos.”</p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="pt"><p>It’s time <a href="https://twitter.com/hashtag/Los5libres?src=hash">#Los5libres</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/The5free?src=hash">#The5free</a> Raul Castro & <a href="https://twitter.com/BarackObama"><code>BarackObama</a> announce relations improvement <a href="https://twitter.com/hashtag/USCuba?src=hash">#USCuba</a> <a href="http://t.co/xRBeIlYrTn">pic.twitter.com/xRBeIlYrTn</a></p>&mdash; Juan del Puerto (</code>tripilingo) <a href="https://twitter.com/tripilingo/status/545308430601568256">17 dezembro 2014</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>O dia histórico para Cuba começou com a libertação em Havana do norte-americano Alan Gross, de 65 anos, detido em dezembro de 2009 sob acusação de espionagem ao tentar instalar, de forma ilegal e sob orientação da Agência Americana de Desenvolvimento Internacional (<span class="caps">USAID</span>, na sigla inglesa), uma rede de internet para servir uma comunidade judaica no território da ilha controlado pelo regime de Raul Castro. A liberdade de Gross foi conseguida à troca da de três cubanos detidos há mais de 10 anos pelos Estados Unidos também sob acusação de espionagem e que pertenceriam ao apelidado grupo “Los Cinco de Cuba.”</p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="pt"><p>Welcome home, Alan Gross. <a href="http://t.co/ZeORP4H0jr">http://t.co/ZeORP4H0jr</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/CubaPolicy?src=hash">#CubaPolicy</a> <a href="http://t.co/rOeFEY3GQv">pic.twitter.com/rOeFEY3GQv</a></p>— The White House (@WhiteHouse) <a href="https://twitter.com/WhiteHouse/status/545334624616865792">17 dezembro 2014</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Três parlamentares americanos deslocaram-se à capital cubana num avião governamental, onde também seguiu a mulher de Alan Gross. Envelhecido e sem alguns dentes, que espera substituir em breve, o norte-americano regressou a “casa” e aterrou em Washington ao mesmo tempo de um outro avião que transportava de regresso à capital americana o secretário de Estado, John Kerry. </p> <p>Gross e Kerry abraçaram-se e foi, lado-a-lado, sentados num sofá, que assistiram em direto à comunicação histórica de Barack Obama.</p> <blockquote class="twitter-tweet" lang="pt"><p>Wonderful reunion. Welcome home Alan Gross thanks <a href="https://twitter.com/StateDept"><code>StateDept</a> &amp; <a href="https://twitter.com/WhiteHouse"></code>WhiteHouse</a> for working with us to make this happen <a href="http://t.co/rUJ8aea08e">pic.twitter.com/rUJ8aea08e</a></p>— Senator Ben Cardin (@SenatorCardin) <a href="https://twitter.com/SenatorCardin/status/545268220765413376">17 dezembro 2014</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>