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Internet abre educação e ciência a todo o Mundo e quase sem custos

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Internet abre educação e ciência a todo o Mundo e quase sem custos

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As novas tecnologias têm vindo a invadir de forma progressiva as salas de aula nas últimas décadas. Já são muitos, aliás, os cursos que se podem tirar à distância, por exemplo, via vídeo-conferência. O ensino tradicional é ainda, contudo, a prioridade e, em tempos de crise, as despesas com livros e material são uma das maiores dores de cabeça para pais e estudantes. Mas… e se toda a informação necessária para o ensino fosse disponibilizada gratuitamente, sem restrições de tempo ou espaço, apenas dependente de uma ligação à internet?

Esta semana, no Learning World (“Mundo a Aprender”), passamos por Reino Unido, Grécia, Estados Unidos e Egito. Apresentamos três reportagens que nos mostram ser possível aprender, ensinar ou aprofundar os conhecimentos científicos sem ser necessário pagar pelos tradicionais livros didáticos ou monografias especializadas. Basta uma ligação à internet. Abrimos esta edição em Cambridge, um dos “templos” do reconhecido ensino britânico.

Desde 2008 – curiosamente no início da crise global que mergulhou boa parte do Mundo desenvolvido na austeridade – um grupo de académicos dedicou-se a uma nova plataforma de estudo gratuito pela internet. Chamaram-lhe "Open Book Publishers" (em tradução livre: "Editores Livro Aberto"). Já tem mais de 40 títulos publicados e alguns de autores bem conhecidos, como é o caso de Noam Chomsky (ver “twit” em baixo). É usada em salas de aula de mais de 120 países, muitos deles subdesenvolvidos. Na Grécia, um dos países mais pressionados pela crise global, a “Open Book” é um sucesso. Mostramos-lhe porquê.

Uma enciclopédia “online” gratuita

A Wikipédia é um dos mais primeiros passos, para muitas pessoas, quando se procura informação sobre um determinado evento, uma entidade ou uma personalidade. É “um projeto de enciclopédia coletiva universal e multilíngue estabelecido na internet sob o princípio ‘wiki’ (expressão que significa “rápido, ligeiro ou veloz”)” , como a própria se apresenta na respetiva página de internet. O objetivo, ainda segundo o “site”, é “fornecer um conteúdo reutilizável livre, objetivo e verificável, que todos possam editar e melhorar”. É, em suma, uma enciclopédia feita por todos e para todos, nos quais se incluem 1,4 milhões de contas de utilizador abertas na versão lusófona da Wikipédia.

Esta enciclopédia gratuita “online” e gerida por uma fundação denominada Wikimedia, entidade sem fins lucrativos e dependente de donativos. Um dos projetos da “Wikimedia Foundation” é o Programa Educativo da Wikipédia ou Academia Wikipédia (clique aqui para saber mais), uma formação criada na Alemanha em 2006, com uma duração de 10 a 12 semanas e aberta a todas as pessoas, em especial, a professores e estudantes. Todos eventuais contribuidores voluntários de informação para a enciclopédia. De acordo com a própria fundação, Manuel de Sousa, presidente da Wikimedia Portugal, lidera este programa em Portugal, desde 2010, em colaboração com a Faculdade de Engenharia da universidade do Porto (FEUP).

Na segunda reportagem desta edição do Learning World, deslocamo-nos ao Egito para conhecer a Academia Wikipédia em desenvolvimento no Cairo. Conversámos com um dos embaixadores egípcio da fundação, que se dedica a ensinar professores e estudantes locais sobre a edição e utilização básica desta enciclopédia “online”. Uma das formadoras neste Programa Educativo da Wikipédia, May Hashem, está a tentar reduzir a predominância masculina entre os editores de língua árabe. Explicamos-lhe porquê.

Um jogo “online” para judar a ciência

Acaba de cumprir dois anos de existência e é, tudo indica, um dos mais dinâmicos projetos de voluntariado científico do planeta. Na terceira reportagem desta edição de Learning World deslocamo-nos aos Estados Unidos para conhecermos melhor o== “EyeWire”, um jogo “online” que permite aos jogadores competir em tempo real e, ao mesmo tempo, ajudar uma equipa de cientistas== a mapear em três dimensões (3D) os neurónios da retina de um olho – daí o nome do jogo. O objetivo do projeto é mais abrangente e será mapear ao pormenor o cérebro humano.

São precisas cerca de 50 horas para que uma pessoa consiga mapear somente um neurónio. No cérebro humano existem, porém, 85 mil milhões de neurónios. Seria preciso um exército de cientistas e uma eternidade. Mas, afinal, como se trata apenas de ligar milhões e milhões de pequenos pontos, transformou-se o processo na criação de um “puzzle” a três dimensões e adaptou-se o mesmo a um jogo. Com dezenas de milhares de pessoas a jogar “online”, o tempo necessário para cumprir a tarefa é reduzido substancialmente e, por fim, bastam alguns administradores para compilar a informação. Quanto mais pessoas jogarem, mas rápido teremos um mapa dos neurónios. Ajudamo-lo a descubrir como pode ajudar a ciência, enquanto se diverte e, quem sabe, a dar o nome a um novo tipo de neurónio que possa vir a ajudar a descobrir.