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Francisco e os desafios da Igreja Católica

2014 foi para os católicos o ano de consolidação da fé no novo Papa. Francisco significa a esperança para a modernização e adaptção da Igreja de

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Francisco e os desafios da Igreja Católica

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2014 foi para os católicos o ano de consolidação da fé no novo Papa. Francisco significa a esperança para a modernização e adaptção da Igreja de Pedro à sociedade do século XXI.
Eles sabem que a tarefa não é fácil, mesmo para o “representante de Deus na Terra”.

Francisco e a Cúria
Vindo do continente americano, sem os hábitos seculares da Cúria no Vaticano, o Papa Francisco está a tentar uma profunda revolução, longe de agradar ao “establishment”.

Na alocução natalícia frente aos cardeais, o Sumo Pontífice falou de doenças espirituais, de divisões, de falta de coordenação, da tentação do poder e de narcisismo, para concluir que não quer “uma orquestra que produza ruídos caóticos”. Ou seja, o Papa quer toda a Cúria a afinar pelo mesmo diapasão.

Desde que foi escolhido para suceder a Bento XVI, que Francisco deu o tom do seu pontificado, mas sabe agora, melhor do que nunca, que mudar os hábitos dos monges da Cúria não será tarefa fácil.

Quais são então as prioridades do líder da Igreja Católica?

Arrumar a Casa
O Vaticano precisa há muito tempo de um reforma séria e corajosa, transformado que está num ninho de víboras, com a prevalência do carreirismo sobre as vocações, com traições, opacidade financeira, corrupção e nepotismo. A primeira vez que um Papa tentou por em causa os hábitos no Vaticano foi em 1978, João Paulo I, que teve apenas 33 dias de pontificado. Quatro anos depois, o patrão do Banco do Vaticano, Roberto Calvi, foi encontrado enforcado numa das pontes de Londres. Tinha estado à beira de se demitir quando João Paulo I, que tinha feito da reforma do banco a sua prioridade, morreu subitamente. Francisco sabe que será precisa muita coragem para levar por diante este objetivo.

Os escândalos dos abusos sexuais
Os católicos desesperados com a repetição das notícias de abusos sexuais sobre crianças por parte dos membros do clero, depositam todas as esperanças em Francisco, no sentido de obrigar a Igreja a reconhecer as suas falhas e a criar mecanismos para acabar com este tipo práticas e punir os casos que têm sido conhecidos. Este lado negro da Igreja tem feito fugir muitos fiéis para outras confissões religiosas como os Evangelistas, que ganham terreno muito rapidamente em países como o Brasil.

A crise das vocações
Por toda a Europa são cada vez menos os jovens dispostos a assumir os votos eclesiáticos e a seguir a via do sacerdócio. A crise das vocações é uma realidade e, nem assim, a Igreja Católica parece disposta a abrir as portas às mulheres ou a permitir o casamento dos membros do clero, como têm feito outras igrejas. Há quem defenda que a autorização dos padres a terem uma vida sexual e ou familiar normal poderia ter evitado muitos dos casos de abuso sexual.

A inserção da Igreja na sociedade moderna
Homossexualidade, aborto e controlo de natalidade são termos que não fazem parte do vocabulário católico e que terão causado, nas últimas décadas, enormes estragos à imagem da Igreja de Pedro, particularmente na Europa e nos Estados Unidos. Muitos católicos apelam à sua Igreja para que se adapte aos fenómenos da sociedade moderna, sob pena de continuar a perder fiéis e influência.

Combate aos extremismos
Neste capítulo, a Igreja Católica tem um enorme desafio pela frente. Se, por um lado deve combater os fundamentalismos, não pode fazê-lo de uma forma agressiva, para evitar riscos de acusações de cruzada. O desafio vai ainda mais longe quando as minorais cristãs estão a ser alvo de perseguições em várias zonas do mundo. A única forma de enfrentar o problema será a aproximação às outras religiões. João Paulo II estabeleceu pontes com os judeus, mas há muito caminha a percorrer em direção ao Islão.

O Papa Francisco tem afirmado acreditar que a Igreja Católica continua a ter um importante papel na sociedade do século XXI. Está nas suas mãos traçar o caminho para a evolução de 2000 anos de tradições e crenças ao ritmo da sociedade em que vivem os fiéis.