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EUA começam a tirar as amarras ao progresso de Cuba

Estados Unidos (EUA) e Cuba estão ainda mais próximos a partir desta sexta-feira. O Departamento do Tesouro norte-americano anunciou quinta-feira o

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EUA começam a tirar as amarras ao progresso de Cuba

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Estados Unidos (EUA) e Cuba estão ainda mais próximos a partir desta sexta-feira. O Departamento do Tesouro norte-americano anunciou quinta-feira o levantamento de algumas das restrições existentes face à ilha controlada há mais de meio século pelos irmãos Castro. Esta abertura comercial surge no seguimento da normalização das relações diplomáticas entre ambos os países anunciadas em simultâneo pelos respetivos presidentes, Barack Obama e Raul Castro, a meio de dezembro.

Leia aqui o comunicado oficial do Departamento de Tesouro dos EUA (PDF)

Washington passa a facilitar as viagens, sem necessidade de licença especial do Governo, de acordo com 12 razões predeterminadas e que incluem motivos familiares, educação, religião ou turismo. É permitida também a partir de agora a exportação por empresas americanas, por exemplo, de telemóveis e produtos vários do setor informático, como serviços de internet.

As companhias que voam para a ilha podem reforçar agora o número das respetivas ligações e os cidadãos norte-americanos, nomeadamente os que tiverem ligações a cubanos, passam a poder enviar até 8 mil dólares (6,7 mil euros) por ano para Cuba contra os 2 mil permitidos até quinta-feira. O investimento americano em pequenas empresas e operações agrícolas passa a ser possível ao mesmo tempo que empresas americanas podem enviar materiais de construção para a ilha para ajuda a renovar edificios privados.

O uso de cartões bancários de débito e crédito passa tambem a ser permitido no país dos Castro. As seguradoras americanas passam a poder vender seguros de saúde, vida e viagem aos residentes em Cuba. O regresso a casa dos turistas americanos que visitem Cuba já poderá incluir também uma quantidade limitada dos famosos rum e charutos cubanos, que deixam de ser ilegais.

Os cubanos agradecem. “Estas medidas vêm ajudar a economia do país e ajudar-nos a poupar dinheiro. Por isso, para nós, isto é benéfico”, defendeu Nelson Fernandez, funcionário da Companhia Elétrica cubana.

O cozinheiro Orlando Veliz prefere olhar ao lado turístico destas alterações: “Vamos ter aqui mais americanos. Vai haver mais clientes. Independentemente do país de origem, isso é sempre bom para a economia e para os nossos próprios negócios.”

Estas novas medidas são a concretização das medidas antecipadas a 17 de dezembro por Barack Obama. “O anúncio de hoje coloca-nos a um passo mais próximo de substituir políticas datadas que não estavam a funcionar por uma política que ajude a promover a liberdade política e económica do povo cubano”, afirmou o secretário do Tesouro norte-americano, Jacob Lew.

Não se pense, contudo, que esta abertura significa o princípio do fim do embargo de mais de 50 anos dos Estados Unidos a Cuba. Para isso, ainda muita água terá de correr debaixo da frágil ponte entre os Democratas de Obama e os Republicanos no Congresso americano.

Os opositores do atual chefe da Casa Branca, depois da vitória nas eleições intercalares de novembro, estão agora em maioria na Câmara dos Deputados e no Senado, as duas câmaras que compõem o Congresso. Os Republicanos têm vindo a garantir que não haverá charutos cubanos nem rum envelhecido que os convençam a levantar o embargo a ilha dos irmãos Castro.

O embargo económico, comercial e financeiro contra Cuba foi imposto pelos Estados Unidos em 1962, depois do fracasso da invasão da ilha para tentar derrubar o regime de Fidel Castro em 1961, que ficou conhecida como o episódio da Baía dos Porcos.

As primeiras conversações diplomáticas oficiais estão agendadas para os próximos dias 21 e 22 de janeiro em Havana. Os dois países devem discutir, entre outros aspetos, a abertura de embaixadas.