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"Grexit" não é solução nem para o SYRIZA

O cenário de saída da Grécia do Euro, o já chamado "Grexit", esteve presente nesta campanha eleitoral. Será esta opção realista? Dois políticos, um do Nova Democracia outro do SYRIZA, responderam às n

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"Grexit" não é solução nem para o SYRIZA

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Muito perto das instituições europeias está um dos ponto de encontro de muitos gregos em Bruxelas. Na Place Jourdain, ainda que à distância, não se afastam da realidade e da eleição que decorre este domingo. Muitos deixaram a Grécia por causa da crise, por isso percebem a importância deste escrutínio.

Uma grega entrevistada pela euronews garante que acredita que “há uma vontade que a política do medo prevaleça, além disso não espero grandes mudanças nas políticas que vão ser seguidas na Grécia.”

Do outro lado da praça, noutro bar grego decorre um debate organizado pelo novo partido, o “Rio” que aparece em terceiro nas sondagems e deve ter um papel importante na formação de governo. Há muitos interessados em ouvir as propostas do partido, mas se discute o crescimento da divisão política na Grécia.
“Acho que a manutenção da Grécia na Zona Euro deve ser uma prioridade de qualquer partido ou coligação depois das eleições”, sublinhou uma grega residente na capital belga. Um outro cidadão grego afirmou que “o importante é mantermo-nos unidos, isto é o mais importante nestas eleições, nós os jovens vamos tentar não perder a esperança”.

Em Atenas, a euronews falou com o atual ministro da Defesa e candidato a deputado do Partido da Nova Democracia, Nikos Dendias.

Efy Koutsokostas, euronews:
“Começamos com uma questão que tem sido colocada nos últimos tempos sobre a saída da Grécia da Zona Euro. Acredita que isso pode acontecer se o SYRIZA vencer?”

Nikos Dendias, Nova Democracia:
“A vitória do SYRIZA, tendo em conta o discurso vago que têm tido, é sempre uma fonte de riscos. Não sabemos verdadeiramente o que o SYRIZA quer fazer. Além disso, se houver mesmo vontade de mudar, não sabemos se têm condições “técnicas” para o fazer.”

Efy Koutsokostas, euronews:
“De qualquer forma, esteve num governo durante dois anos e foram seguidas as políticas de austeridade e adotados os memorandos. Acredita que esta foi a melhor “receita” e que agora vão conseguir ganhar as eleições?”

Nikos Dendias, Nova Democracia:
“Antes de mais, a questão principal foi o facto da economia grega estar à beira do colapso em 2010. E o problema era o modelo económico que tinhamos até essa altura que privilegiava o consumo em vez da produção e inovação. Os memorandos foram medicamentos, talvez bons medicamentos, talvez modestos, que tiveram efeitos secundários. De qualquer forma, não foram as causas do tudo o que correu mal. Além disso, é preciso dizer que apesar de todos os erros e más escolhas, conseguimos manter o país na zona euro, o que não estava garantido em 2012.”

Efy Koutsokostas, euronews:
“Mas há quem diga, na Europa, que a Grécia não avançou com todas as reformas que devia.”

Nikos Dendias, Nova Democracia:
“Se me pergunta se as reformas precisam ser mais profundas ou rápidas, eu digo que sim. É verdade. E há áreas onde cometemos erros e há atrasos. Mas não é disso que o SYRIZA nos acusa. O SYRIZA quer interromper as reformas que já fizemos e voltar ao modelo que tinhamos em 2010. Este é o problema destas eleições.”

Também em Atenas, falámos com o responsável pelo programa económico do SYRIZA, Giannis Milios.

Efy Koutsokostas, euronews:
“Começo pela questão da saída da Grécia da Zona Euro. Considera um cenário possível?”

Giannis Milios, SYRIZA:
“Não é de todo possível. Gostaria de chamar a atenção para o facto de termos ouvido falar deste cenário em todas as eleições como uma tentativa de assustar as pessoas, para que continuem a votar a favor de políticas que não querem, que não aprovam.
É impossível que isso venha a acontecer porque se um país é forçado a sair da Zona Euro, toda a moeda única entraria em colapso.”

Efy Koutsokostas, euronews:
“De qualquer forma, ouvimos alguns responsáveis europeus, incluíndo Draghi ou Merkel a dzer que se o novo governo não se mantiver comprometido, deixará de ter apoio. Ao mesmo tempo, ouvimos o seu partido a falar de renegociação a partir do zero. São situações compatíveis?”

Giannis Milios, SYRIZA:
“Não podemos ficar agarrados às mesmas políticas de austeridade. É por isso que o povo grego vai votar em nós. A mudança de política é uma questão nacional, de soberania popular. Vamos chegar a acordo sobre objetivos específicos como equilíbrio orçamental. Mas a forma como vamos atingir os objetivos é social, a favor da maioria social. Não entendo, por exemplo, porque é que a despesa pública em saúde na Grécia é de apenas 6% quando a média europeia é de 8% e a Alemanha é de 10,5%.”

Efy Koutsokostas, euronews:
“Uma negociação exige tempo e há muitas pressões. Até onde estão preparados para insistir? Qual é o limite?”

Giannis Milios, SYRIZA:
“A economia grega não aguenta mais austeridade e cortes. A dívida não pode continuar a ser uma armadilha que não permite apostar no crescimento do país e no desenvolvimento da economia. O nosso limite é o que apresentámos em Thessaloniki: a primeira prioridade é lidar com os problemas das pessoas. Não podemos continuar a ter pessoas a sofrer porque não têm acesso a bens fundamentais na Europa, no século XXI.”

Em Bruxelas, a euronews ouviu Guntram Wolf, diretor do “think tank” Bruegel.

Efy Koutsokostas, euronews:
“Comecemos pela questão mais importante, a saída da Grécia da Zona Euro é um cenário realista?”

Guntram Wolff, Bruegel think tank:
“Acredito que seria um mau cenário para a Grécia e para o resto da Zona Euro.”

Efy Koutsokostas, euronews:
“Em que caso se poderia tornar realidade?”

Guntram Wolff, Bruegel think tank:
“Poderemos assistir ao endurecimento das discussões em todos os lados, o que pode acabar numa situação comparável à que vimos em Chipre, onde o governo cipriota rejeitou a proposta inicial do Eurogrupo. Depois o capital assumiu o controlo e quando isso acontece a saída fica muito próxima.”

Efy Koutsokostas, euronews:
“Também é perigoso para a Zona Euro?”

Guntram Wolff, Bruegel think tank:
“A Grécia tem muito a perder mas acredito o cenário será muito mau para o resto da Zona Euro porque é de facto posta em causa, porque não queremos que os mercados voltem a ficar nervosos e a dívida italiana, por exemplo, volte a ser posta em causa.”

Efy Koutsokostas, euronews:
“Se o Syriza vencer as eleições, o que é provável uma vez que lidera as sondagens, poderemos ver a União Europeia a renegociar os termos do programa de resgate?”

Guntram Wolff, Bruegel think tank:
“Acredito que as negociações sejam feita sobre a dívida, taxas de juro e depois devem ser discutidas as condições, o papel da Troika e o terceiro prorgrama.”

Efy Koutsokostas, euronews:
“Então o que estará errado com a Grécia, porque é que, por exemplo, Portugal e a Irlanda estão num caminho diferente, ambos tiveram um programa similar e agora estão a sair da crise?”

Guntram Wolff, Bruegel think tank:
“A Grécia tinha mais de 100% do PIB a suportar o setor público, muito dinheiro
a apoiar a economia grega, 100% do PIB, a Irlanda tinha 40%. Por isso a Grécia precisava de muito mais ajuda e teve muito mais ajuda que a Irlanda. O problema grego era muito maior desde o início e esperamos que no fim do programa de ajustamento a situação esteja bem melhor.”