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Ucrânia: Um conflito, duas faces

A equipa de reportagem da euronews foi a Kramatorsk, no leste da Ucrânia, cer como a vida mudou desde que o exército regular retomou o controlo. Em Donetsk, as opiniões pró-russas prevalecem.

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Ucrânia: Um conflito, duas faces

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A estátua de Lenine, na praça central de Kramatorsk, torce pela Ucrânia. Pelo menos, a acreditar no cachecol. A cidade, a 90 quilómetros de Donetsk, voltou ao controlo do exército ucraniano no verão, depois de três meses de ocupação pelos separatistas.

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A situação humanitária é muito séria. Diria mesmo que é uma catástrofe. A Ucrânia não deixa entrar medicamentos nem comida, por isso só a Rússia nos pode ajudar.

Lyudmila, dona de um café, esteve sempre do lado da Ucrânia: “Durante a ocupação, éramos bombardeados, havia homens armados por toda a cidade. Os civis deixaram a cidade, as empresas também. Não havia nada para fazer, tivemos de fechar, porque não fazíamos receita. Tivemos de sair”, conta.

Denis Sakno apoiava, inicialmente, os separatistas pró-russos, mas acabou por mudar de opinião: “Tinham-nos dito que a República de Donetsk traria boas coisas, que o governo ucraniano não era legítimo, que estávamos a pagar muito para o orçamento do Estado e que, com a República de Donetsk, o dinheiro ficaria aqui”.

“Agora, a maior parte da população está a favor do governo de Kiev. Mesmo se há grupos que se mantèm críticos em relação ao governo ucraniano”, diz Sergio Cantone, chefe da delegação da euronews em Kiev.

A outra face

Em Donetsk, principal cidade controlada pelos separatistas, também há uma estátua de Lenine, mas esta, ao contrário da de Kramatorsk, não defende as cores da Ucrânia.

Ao fim de meses de combate, o efeito é devastador: “A situação humanitária é muito séria. Diria mesmo que é uma catástrofe. A Ucrânia não deixa entrar medicamentos nem comida, por isso só a Rússia nos pode ajudar”, diz Igor, residente na cidade.

Aqui, o apoio às forças pró-russas parece quase unânime. Os rebeldes anunciaram ter expulsado as tropas governamentais de duas zonas dos arredores de Donetsk. O aeroporto da cidade voltou para as mãos do exército da Ucrânia.